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RÁDIO iTABUNENSE


21 abril 2022

Testes positivos de SARS-CoV-2 crescem e 10 a 19 anos tem taxa mais alta

 


Os resultados positivos de testes para SARS-CoV-2, o vírus causador da Covid-19, tiveram alta e a taxa mais elevada foi encontrada no público de 10 a 19 anos, segundo o novo levantamento do Instituto Todos pela Saúde (ITpS) divulgado nesta quarta-feira, 20. A análise apontou que a positividade passou de 3,6%, no fim de março, para 8,4% na semana de 10 a 16 de abril. Entre os jovens, o índice foi de 14%.

O levantamento, realizado com base nos dados dos laboratórios particulares Dasa, DB Molecular e HLAGyn, mostrou que a faixa de 50 a 59 anos foi a segunda que mais apresentou resultados positivos nos testes para o vírus (12%).

vacina contra a Covid-19 é a forma mais eficaz de evitar casos graves e óbitos pela doença e está disponível nos postos de saúde espalhados por todo o país. Atualmente, a população com mais de 5 anos pode ser imunizada.

O Vírus Sincicial Respiratório (VSR), relacionado a casos de bronquiolite e que pode levar crianças a quadros graves, também foi monitorado e apresentou o índice mais alto desde quando o instituto acompanha os casos, em dezembro, totalizando 20,5%. A maior parte dos casos foi detectada em crianças de 0 a 9 anos (47,8%).

De acordo com o ITpS, Rio de Janeiro e São Paulo foram os estados que tiveram o maior salto de resultados positivos para SARS-CoV-2 no período de 26 de março a 16 de abril, de 3% para 9% e de 4% para 9%, respectivamente.

No período de 10 a 16 deste mês, foram realizados 9.611 testes para detecção de vírus respiratórios. Dos que tiveram resultado positivo, 95,8% foram para o causador da Covid-19 e 4,2% para VSR. Não foram registrados casos de Influenza A e B.

Novo tratamento com ultrassom vai tratar a diabetes


 É possível tratar diabetes sem uso de fármacos? Pesquisadores da Escola de Medicina de Yale, nos Estados Unidos, e de outras instituições garantem que sim. Um estudo, publicado na revista Nature Biomedical Engineering, demonstrou a capacidade de usar o ultrassom para estimular vias neurometabólicas específicas no corpo que podem prevenir ou reverter o aparecimento de diabetes tipo 2. “Embora já tenhamos uma grande variedade de medicamentos antidiabéticos disponíveis para tratar níveis elevados de glicose, estamos sempre procurando novas maneiras de melhorar a sensibilidade à insulina no diabetes”, disse Raimund Herzog, professor de endocrinologia no Departamento de Medicina Interna de Yale e membro do Yale Diabetes Research Center.

O próximo passo da equipe de cientistas é realizar testes de viabilidade em humanos com indivíduos diabéticos tipo 2, aproximando a medicina do dia em que a doença não será mais monitorada e controlada com testes de açúcar no sangue, injeções de insulina e tratamentos medicamentosos.

O objetivo das pesquisas é fornecer um tratamento duradouro para pessoas com diabetes tipo 2 que aliviem e potencialmente reverta a doença caracterizada por uma grande quantidade de açúcar circulando na corrente sanguínea e que acomete milhões de pessoas em todo o mundo. A diabetes é uma das principais causas de cegueira, insuficiência renal, ataques cardíacos, acidente vascular cerebral e amputação de membros inferiores.

Por meio de seu laboratório, Herzog testou a magnitude do efeito do tratamento com ultrassom na glicose no sangue. “Infelizmente, existem poucos medicamentos que reduzem os níveis de insulina”, afirmou o especialista, acrescentando. “Se nossos ensaios clínicos confirmarem a promessa dos estudos pré-clínicos relatados neste artigo, e o ultrassom puder ser usado para reduzir os níveis de insulina e glicose, a neuromodulação do ultrassom representaria uma adição emocionante e totalmente nova às opções atuais de tratamento para nossos pacientes”.

As descobertas relatadas representam um marco significativo no campo da medicina bioeletrônica, que explora novas maneiras de tratar doenças crônicas, como a diabetes, usando novos dispositivos médicos para modular o sistema nervoso do corpo. Nos últimos seis anos, a GE Research vem desenvolvendo uma nova técnica de estimulação não invasiva que usa ultrassom para estimular vias neurais específicas dentro de órgãos associados a doença.

Após os estudos pré-clínicos relatados, os colaboradores se envolveram em pesquisas adicionais que investigam os efeitos da dosagem alternada, como o tipo de pulso de ultrassom e a duração do tratamento. A equipe deve relatar os resultados ainda este ano.

A gangorra do Banco Inter na nova tentativa de sair da bolsa


 O Banco Inter revelou na última segunda-feira, 18, que vai tentar mais uma vez sair da bolsa brasileira e migrar suas ações para os Estados Unidos, mais precisamente para o Nasdaq, o índice de tecnologia dos americanos. As ações da fintech subiram 4,42% na segunda-feira, dispararam 9,15% na terça-feira, 19, e nesta quarta-feira, 20, despencaram 6,10%. O saldo ainda é positivo, e as grandes casas de análise do mercado financeiro acreditam que depois de uma tentativa mal sucedida, as chances da reorganização societária sair do papel são mais altas agora porque os termos mudaram.

Na primeira vez, havia um limite de somente 2 bilhões de reais em saques dos acionistas que gostariam de se desfazer do papel antes dele migrar para os EUA, e o negócio foi cancelado porque o teto foi estourado. Agora, mesmo que as solicitações de saque ultrapassem o novo limite de 1,13 bilhão de reais estabelecido pela fintech, o restante das ações será convertido diretamente em BDRs, ou seja, a migração para a Nasdaq só depende da aprovação dos acionistas. “Essa mudança deve reduzir significativamente o risco de a nova listagem não passar, pois desta vez a transação está garantida após aprovação em assembleia”, dizem os analistas do BTG Pactual. Ainda assim, as ações de Banco Inter acumulam queda de 38% no ano.

Média móvel de mortes por Covid-19 cai 38% em duas semanas

 


O Ministério da Saúde divulgou os índices da infecção de Covid 19 no Brasil nas últimas 24 horas. A média móvel de novos casos de Covid 19 contabilizou 14.445,1 diagnósticos e segue em queda desde o dia 5 de fevereiro, número 33% menor em relação há 14 dias.

Os casos de óbitos registrados foram de 263 brasileiros, o que demonstra que o número médio de óbitos atingiu 108,3, um recuo de 38% em relação há duas semanas e continua em declínio desde 25 de fevereiro, há quase dois meses.

A análise da situação pandêmica é feita a partir da variação de 15% fixada por infectologistas como ponto de inflexão. Dessa maneira, se um índice registrar um aumento superior a 15% em relação a duas semanas, ele está em alta; se o índice cair mais de 15% em relação ao mesmo período, ele está em queda. Médias que permanecem entre -15% e 15% são definidas como estáveis.

Já o cálculo de médias móveis definido por especialistas consiste em somar todos os registros dos últimos 14 dias e dividir o total por 14. Assim, é possível ter uma visão ampla do atual momento pandêmico.

Nesta quarta-feira, 20, o Brasil aponta 36.750 novos casos e 263 mortes, atingindo 30.311.969 diagnósticos de Covid-19 e 662.414 óbitos desde o início da pandemia.

 

O recado decisivo do STF para Bolsonaro e seus filhos

 


A condenação do deputado Daniel Silveira pelo Supremo Tribunal Federal (STF) não é só um recado para o parlamentar, mas também o mais importante para o presidente Jair Bolsonaro, seus filhos zeros um, dois e três, assim como ao bolsonarismo e à extrema-direita brasileira, como um todo.

É melhor o mandatário e seus familiares colocarem as barbas de molho, como ressaltou um importante manifesto contra a ditadura militar,  em 1969.

Assim como Daniel Silveira, Bolsonaro e seus filhos participaram de atos antidemocráticos contra o Brasil e suas instituições. Jair Bolsonaro e seu filho Eduardo, aliás, como todos sabemos, já atacaram o STF e seus ministros em mais de uma ocasião.

Não esqueceremos.

O país tem memória curta, mas foi Daniel Silveira que, num ato selvagem, impulsionado pela milícia carioca e pelo bolsonarismo, quebrou a placa em homenagem à defensora dos direitos humanos Marielle Franco – brutalmente assassinada em um crime ainda com perguntas a serem respondidas.

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Também não esqueceremos.

Sim, nesta quarta-feira, 20, ao decidir pela condenação do parlamentar bolsonarista, a corte manda o mais importante recado a um grupo político, o de que, por mais que eles queiram atacar a democracia e o estado de direito, e por mais que as reações estejam sendo demoradas, haverá resistência.

É tradição no Supremo enviar recados em decisões com apelo midiático como esta.

“A liberdade de expressão existe para manifestação de opiniões contrárias, jocosas, sátiras, para opiniões errôneas, mas não para opiniões criminosas, discurso de ódio, atentado ao Estado Democrático de Direito”, disse Alexandre de Moraes em seu voto.

É como se o Supremo inteiro, ou a sua maioria, dissesse bem alto aos brasileiros: “não vamos aceitar a continuação dessa prática odiosa. Respeitem as instituições ou sofrerão consequências”.

Obrigado, STF.

Os próximos passos de Daniel Silveira após condenação pelo STF


 
Condenado pelo STF a oito anos e nove meses de prisão em regime fechado, o deputado bolsonarista Daniel Silveira (PTB-RJ) não será detido imediatamente.

O parlamentar ainda pode recorrer da decisão e apenas será obrigado a cumprir pena após o trânsito em julgado, ou seja, quando forem esgotados todos os recursos possíveis — ou então, caso esgote-se o prazo para que conteste a decisão do Supremo desta quarta.

O STF também votou pela cassação do parlamentar e, de acordo com a Corte, caberá à Câmara dos Deputados dar início ao processo de perda de mandato do deputado. O procedimento, no entanto, também dependerá do trânsito em julgado da decisão.

Daniel Silveira foi condenado pelo Supremo por dez votos contra um. Acompanharam o voto do relator, Alexandre de Moraes, os ministros André Mendonça, Edson Fachin, Luís Roberto Barroso, Rosa Weber, Dias Toffoli, Carmen Lúcia, Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e o presidente da Corte, Luiz Fux.

Com exceção de Mendonça, todos os ministros favoráveis à condenação de Silveira votaram pela pena total de oito anos e nove meses de prisão em regime fechado. O ex-AGU defendeu pena de dois anos e quatro meses em regime aberto.

O único voto contrário foi o do ministro Kássio Nunes Marques, que defendeu a absolvição do parlamentar ao afirmar que “falas são bravatas”.

Silveira foi julgado em ação penal na qual respondeu por ameaças aos ministros da Corte e incitação de animosidade entre as Forças Armadas e instituições da República, entre elas o próprio tribunal.

Adesão a parcelamento especial do Simples é prorrogado para 31 de maio

 


O atraso na liberação do sistema e a falta de uma fonte de compensação fizeram o governo adiar o prazo de adesão ao parcelamento especial de negócios inscritos no Simples Nacional. A data, que acabaria no fim de abril, passou para 31 de maio.

A decisão foi anunciada nesta quarta-feira, 20, pelo Comitê Gestor do Simples Nacional. Esse é o terceiro adiamento. Originalmente, o prazo para aderir ao Programa de Reescalonamento do Pagamento de Débitos no Âmbito do Simples Nacional (Relp) acabaria no fim de janeiro. A data foi transferida para o fim de março e, mais tarde, para 30 de abril.

O Comitê Gestor também adiou, para 31 de maio, o prazo de regularização das dívidas que impedem as micro e pequenas empresas e os microempreendedores individuais a entrarem no Simples Nacional. A entrega da Declaração Anual do Microempreendedor Individual (DASN-Simei), que iria até o fim de maio, foi prorrogada para 30 de junho.

Sistema

Em nota, o Comitê Gestor do Simples informou que o adiamento foi necessário porque o governo ainda não encontrou uma fonte para compensar a perda de arrecadação com o parcelamento especial, como determina a Lei de Responsabilidade Fiscal. Enquanto o problema não é resolvido, a Receita Federal não pode lançar o sistema que permite a adesão dos devedores.

“O adiamento da adesão ao Relp se tornou necessário para adequação do calendário, até que seja definida a sua fonte de compensação, conforme exigência da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). A Receita Federal já está com tudo pronto para dar operacionalidade ao parcelamento”, informou o órgão.

Por meio do Relp, as micro e pequenas empresas e os microempreendedores individuais afetados pela pandemia de covid-19 podem renegociar dívidas em até 15 anos. O parcelamento prevê descontos de até 90% nas multas e nos juros de mora e de até 100% dos encargos legais. Também haverá um desconto na parcela de entrada proporcional à perda de faturamento de março a dezembro de 2020 em relação ao mesmo período de 2019. Quem foi mais afetado pagará menos.

Vetada pelo presidente Jair Bolsonaro no início do ano, a renegociação especial de débitos com o Simples Nacional foi restabelecida pelo Congresso, que derrubou o veto no início de março. Alguns dias depois, o Diário Oficial da União publicou a lei complementar que estabeleceu o Relp.

PRF quer gastar até R$ 25 milhões em brindes para autoridades


 A PRF quer comprar 1.500 “kits churrasco” compostos por tábua de corte, faca e garfo de trinchar gravados com a logomarca da polícia para distribuir como brinde para autoridades e políticos brasileiros.

Em novembro do ano passado, a direção da PRF solicitou a abertura de processo para a tomada de preços e futura licitação para a compra de brindes personalizados como os kits churrasco e também mousepads, cadernetas, camisetas, bandeiras de mesa, carregadores sem fio e até réplicas em miniatura das viaturas e motocicletas usadas pela polícia rodoviária.

O Radar teve acesso a uma planilha com a estimativa de preços dos itens produzida em 30 de novembro por um funcionário da PRF. O gasto estimado para a compra, que incluiu ainda materiais para programas de educação de trânsito, poderia chegar a 25,7 milhões de reais.

Em outro documento, chamado Documento de Formalização da Demanda, ao qual o Radar também teve acesso, a PRF justifica a aquisição milionária dos brindes pela necessidade de “alinhamento estratégico” ao projeto da direção-geral da polícia de “valorizar o relacionamento da instituição com seus diversos stakeholders”.

Sabe-se que Silvinei Vasques, chefe da PRF que assumiu o posto em abril do ano passado, é pessoa próxima a Jair Bolsonaro. Ele já fez diversas homenagens e entregou comendas ao presidente e a pessoas próximas a ele, como a primeira dama Michelle Bolsonaro e o ex-secretário de Cultura Mário Frias.

“Um brinde personalizado é uma forma de valorizar a marca PRF”, diz a corporação no documento. “Esse tipo de ação também é uma estratégia de branding, já que a percepção que o cliente tem a respeito de determinado serviço geralmente é afetada de forma positiva com a oferta do brinde.”

O Radar perguntou à PRF se a licitação ocorreu de fato e para quem seriam dados os brindes. A corporação respondeu que optou por manter apenas os materiais de educação de trânsito no edital de licitação, que ainda está sob análise, não tendo sido, portanto, segundo a PRF, “aberto qualquer processo de aquisição até o presente momento”.

A polícia reafirmou que a compra dos brindes é uma “estratégia de branding” para “valorizar o relacionamento da instituição com seus diversos stakeholders”.

Mundo desencantado: Disney treme por briga com governo da Flórida

 


No papel, a lei faz sentido para muitos pais: professores não devem tratar de orientação sexual e identidade de gênero desde o maternal até a terceira série, quando as crianças estão com nove anos.

Na realidade do mundo dividido pelas batalhas identitárias, virou uma guerra entre um governador que quer ser presidente, Ron DeSantis, da Flórida, e o império Disney, que silenciou e depois desafiou estrepitosamente a nova legislação.

Atualmente, a situação é a seguinte: DeSantis pretende acabar, via o legislativo estadual, onde o projeto já foi aprovado pelos senadores, com o estatuto que confere à Disney autonomia total sobre seus domínios. O status de distrito especial, existente desde 1967, permite inclusive a emissão de bônus de dívida sobre um patrimônio imobiliário bilionário. A Disney usa recursos próprios para prover água, energia elétrica, estradas, policiamento e corpo de bombeiros, recebendo benefícios fiscais em troca.

Seria um golpe monumental para uma empresa com faturamento de quase 2 bilhões de dólares e um enorme poder de influência sobre crianças e jovens, num arco que vai do Marvel Studios à National Geographic.

É este poder que a Disney, declaradamente, usa e pretende usar mais para difundir personagens do espectro LGBTQI, segundo as palavras de sua presidente de conteúdo, Karey Burke, vazadas no começo do mês.

Argumentando que tem uma filha trans e uma pansexual, Karey disse que a Disney já tem “muitos, muitos, muitos personagens” que podem ser colocados na categoria queer. Mas faltam personagens principais desse tipo. E a meta é ter “pelo menos” 50% de sexualidades alternativas e minorias raciais nos desenhos animados e filmes que depois viram atrações nos parques temáticos adorados por crianças do mundo inteiro.

Karey não é um caso único, obviamente, no mundo Disney. Roy Disney, sobrinho-bisneto de Walt Disney, um ultraconservador que denunciava atividades comunistas no mundo artístico, disse que seu enteado, Charlee Cora, professor de biologia e ciências, é um homem trans. “Estou explodindo de orgulho pelo que meu irmão e a mulher dele fizeram”, tuitou Abigail Disney, outra integrante do clã que abraçou causas identitárias.

A lei aprovada pelo legislativo estadual da Flórida ganhou de seus adversários um nome do tipo que cola: “Don’t say gay”. Ou não diga a palavra gay. Funcionários da Disney fizeram protestos, exigindo que a companhia se colocasse a respeito. Em 11 de março, o CEO da Walt Disney Company, Bob Chapek, finalmente fez um choroso mea culpa.

“Vocês precisaram de mim como um aliado forte na luta por direitos iguais e eu não correspondi. Sinto muito”, disse ele aos funcionários envolvidos.

Chapek também anunciou que a empresa não faria mais contribuições em dinheiro para campanhas políticas na Flórida.


A lei discrimina alunos com perfil de gênero alternativo ou é um instrumento de apoio a pais que consideram absurdo que as escolas aceitem a mudança de identidade de crianças pequenas, com consequências físicas e psicológicas que não podem avaliar?

A questão é explosiva porque não existem respostas simples sobre os limites entre respeitar e acatar as diferenças de identidade sexual e resistir às pressões sociais a que crianças e jovens são submetidos, por modismo comportamental, através do poder avassalador das redes sociais.

Esse tipo de pressão também levou a Disney à posição nada confortável de ficar no centro de uma briga em que tem muito a perder, fosse qual fosse o lado que escolhesse.

Não é, porém, uma novidade. A empresa criada por um gênio bizarro como Walt Disney (que não, não teve o corpo conservado numa câmara criogênica, como muitos acreditam até hoje) já foi acusada de tudo, desde invadir o mundo com um agente disfarçado do imperialismo como Mickey Mouse (o que dizer do oligarca Tio Patinhas?) até racismo, sexismo e outros preconceitos.

Muitos desses julgamentos são feitos com critérios que não existiam na época da criação de personagens como o malandro Zé Carioca, a quem deve ser debitado o feito de ter levado o Pato Donald a tomar uma cachacinha quando visitou o Brasil como enviado especial da política de boa vizinhança.

Também existe uma espécie de “maldição da Disney” abarcando a profunda instabilidade emocional e os vícios impulsionados pelo sucesso precoce de atrizes infantis de seriados da empresa. A lista vai de Britney Spears a Lindsay Lohan, Miley Cyrus, Selena Gomez, Demi Lovato e mais um longo etc.

Para mostrar que está acompanhando as mudanças sociais, a Disney eliminou recentemente a saudação tradicional – “Senhoras e senhores, meninos e meninas” – do show de fogos de artifício do parque de Orlando, deixando só a parte final: “Sonhadores de todas as idades”.

Agora, mães e pais mais conservadores estão defendendo um boicote ao reino mágico. Também é de se notar que o fim das doações de campanha elimina um instrumento tradicional de cultivo, digamos, de aliados no mundo político. Ficar congelado nesse setor pode ter consequências que nem Elza daria um jeito.

Aliás, a princesa moderna que não tem um interesse romântico e canta uma música que já foi considerada um hino à saída do armário (“Esconda, não sinta, não deixe que eles saibam/ Bem, agora eles sabem/ Ponha para fora”). Let it go.

Se as autoridades da Flórida realmente consumarem a cassação dos privilégios da Disney, podem acabar prejudicando a atração que mais traz turistas ao estado e, portanto, seus próprios interesses?

Em inglês, a expressão “operação Mickey Mouse” virou sinônimo de coisa ridiculamente mal feita. Pode acabar se aplicando a todos os envolvidos nesse caso.

As duras verdades de Ciro Gomes aos seguidores de Lula

 


Atacado pelo petismo em outros momentos, Ciro Gomes, vira e mexe, bate com classe na turma de Lula e seus apoiadores na esquerda. O último alvo do pedetista foi o presidente do Psol, Juliano Medeiros, que andou atacando aliados de Gomes na esquerda.

O presidenciável do PDT lembrou ao petismo, numa live, o quão seletiva é a moral da turma que anda com o partido, que fecha os olhos para roubalheira da companheirada, mas vive a apontar o dedo para os outros.

“O Brasil está doente. Boa parte dessa doença é essa gente de esquerda de goela. Não tem compromisso com o povo. Tem a decência relativizada. A única corrupção que incomoda essa gente é a dos outros, porque se for a da turma deles, fica tudo calado. Não é, não, seu Juliano?”, disse o presidenciável pedetista ao chefe do Psol.

A bronca de Gomes foi com um ataque do Psol a Aldo Rebello, o ex-ministro chamado por Medeiros de “fascista de esquerda”. Medeiros deve se aliar ao petismo nestas eleições, apesar de todo o histórico de corrupção que o partido insiste em negar. Gomes lembrou ao cacique do Psol que o partido nasceu justamente de uma ala do PT que abandonou o partido no escândalo do Mensalão, em 2005, quando a roubalheira petista começou a aparecer.

Para Gomes, Medeiros agora ignora a corrupção petista por conveniência: “Quando o Lula começou a governar, naquela hora crítica, eles foram embora denunciando corrupção (…) Agora que o Lula virou essa podridão notória…”

Quem foi Tiradentes e por que 21 de abril é feriado no Brasil inteiro?


 O feriado desta quinta-feira (21) marca a morte de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, símbolo da Inconfidência Mineira. Ele foi enforcado em 1792 e, depois, esquartejado, por traição à coroa. O movimento do qual fez parte era anticolonialista, queria a instalação da República.

Os conspiradores mineiros planejavam o fim da dominação portuguesa sobre o Brasil. Para além do mártir, Tiradentes foi um homem tagarela, namorador, teimoso, corajoso, apaixonado por livros e defensor do conhecimento.

“Tem gente que quer que Tiradentes seja um ‘santo’, mas ele foi um homem, com paixões, defeitos e qualidades”, diz o professor do departamento de história da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Luiz Villalta, que pesquisa o tema há quatro décadas.

A República só foi proclamada no Brasil em 1889.

Por que é feriado?

Tiradentes morreu como traidor do Brasil, mas anos depois foi considerado herói. O dia da morte, 21 de abril, é feriado em todo o país. Ele foi declarado patrono cívico da nação brasileira no dia 9 de dezembro de 1965, com a publicação da Lei de nº 4.897, no governo de Castello Branco.

O texto diz que a homenagem a ele pretende destacar que a condenação de Joaquim José da Silva Xavier não deve manchar a memória dele, que é "reconhecida e proclamada oficialmente pelos seus concidadãos, como o mais alto título de glorificação do nosso maior compatriota de todos os tempos".

Quem foi Tiradentes?

Após ficar três anos preso no Rio de Janeiro, Tiradentes foi enforcado em 1792. Esquartejado, ele teve as partes do corpo expostas em diferentes locais públicos de Vila Rica, atual Ouro Preto, para "servir de exemplo".

Em um destes pontos, há hoje uma estátua e uma placa onde se lê “aqui em poste de ignominia esteve exposta sua cabeça”. A rota do inconfidente pela cidade foi relembrada pelo g1 em 2018, quando o jornalista Lucas Figueiredo publicou a biografia moderna “O Tiradentes”.

“No começo, Tiradentes se envolveu na trama pelo mesmo motivo da maioria de seus companheiros: insatisfação pessoal com a Coroa. Com o passar do tempo, já dentro do movimento, Joaquim adquiriu consciência política e compreendeu que a luta em que estava envolvia causas nobres, como a instalação da República e o fim da cruel dominação portuguesa”, conta o biógrafo Figueiredo.

Segundo Villalta, entre os legados deixados pela Inconfidência Mineira estão “as falhas permanentes de nosso poder judiciário, desde aquela época notabilizado por produzir injustiças”. Apesar de ter sido um movimento que pregava a liberdade, o professor destaca que os inconfidentes não tocaram na questão da escravidão. “Não tinham a menor sensibilidade social”, explica.

Várias profissões

Tanto para Villalta quanto para Figueiredo, o que há de interessante em Tiradentes ultrapassa a traição à Coroa. Entre as profissões exercidas por ele estão a de dentista (“tira-dentes”), minerador, comerciante e, claro, alferes. “Um bom militar, diga-se de passagem”, afirma Villalta.

O apreço pela leitura e pelo conhecimento técnico também tem destaque na personalidade de Tiradentes. Lendo obras estrangeiras e nacionais, montava suas próprias estratégias de intervenção. Ele circulava bem por diferentes grupos sociais e tinha uma alma inquieta.

Na vida afetiva, teve um relacionamento com Antônia do Espírito Santo, 25 anos mais nova do que ele. Os dois moraram juntos, mas não chegaram a se casar. “Há registros de que, com ela, teve uma filha. Mas não é improvável que tenha deixado outros descendentes. Ele viajava demais. Era obcecado pela conspiração. Ao que tudo indica, a amante se cansou dele e o traiu”, relata Luiz Villalta.

Filha de Tiradentes foi batizada na Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar — Foto: Thais Pimentel/G1

“Ele era alguém que queria muito vencer na vida, que acreditava que o esforço seria recompensado. Mas, ao mesmo tempo, uma pessoa muito teimosa e inocente. Às vezes, confuso; sempre generoso e com uma coragem infinita”, descreve Figueiredo.

“Era fanfarrão? Falava demais? Sim! Mas sua participação como tal era essencial para o sucesso do movimento. Ele era o agente que poderia incendiar o povo”, completa Villalta.

Medalha da Inconfidência

A entrega da Medalha da Inconfidência, maior honraria concedida pelo governo de Minas Gerais, teve que ser suspensa em 2020 e em 2021, por conta da pandemia de coronavírus. A tradicional cerimônia será retomada nesta quinta-feira (21), homenageando políticos, militares, médicos e desembargadores.

As honrarias são dividas em quatro graus: Medalha da Inconfidência, Medalha de Honra, Grande Medalha e Grande Colar. Os 171 homenageados incluem aqueles que foram agraciados em 2020, quando o evento foi cancelado, e os indicados neste ano. Em 2021 não houve indicações.

A honraria máxima, o Grande Colar, será concedido neste ano ao senador mineiro Rodrigo Pacheco (PSD), Presidente do Congresso Nacional.

Luta política pela Eletrobras já dura 27 anos e segue imprevisível

 


Semana que vem, o Brasil completa 27 anos de tentativa de privatização da Eletrobras, a nave-mãe do setor público de energia. É, provavelmente, a batalha política mais longa desde a redemocratização do país, há 37 anos.

Segue sem desfecho previsível, como deixou claro o Tribunal de Contas da União ontem: o que deveria ser uma discussão sobre controle externo numa privatização virou um embate partidário na bruma da temporada eleitoral.

Tem sido assim há pelo menos 9.700 dias, desde aquele maio de 1995 quando o PSDB decidiu inscrever a Eletrobras na lista de empresas estatais à venda. Aconteceu por decreto (nº 1503) de Fernando Henrique Cardoso.

Era um pacote relevante: Eletrobras e quatro subsidiárias regionais (Chesf, Furnas, Eletronorte e Eletrosul) representavam 41% da energia produzida no mercado brasileiro — quase 23 mil megawatts. Coisa rara no mapa-múndi dos negócios de energia.

Porém, o impasse doméstico perdurou pelos nove anos seguintes. Até que, em 2004, Lula (PT) resolveu retirá-la da vitrine de estatais em oferta.

Proclamou a defesa da soberania nacional e anunciou um grandioso projeto de conversão da Eletrobras em multinacional de eletricidade. Entregou-a ao controle do MDB, que assim consolidou sua hegemonia no setor.

O partido retribuiu a generosidade. Garantiu ao governo Lula a maioria em votações na Câmara e no Senado.

Ao mesmo tempo, reforçou o caixa da empresa com a justificativa da expansão dos negócios fora das fronteiras nacionais. O então deputado Eduardo Cunha (MDB-RJ) engendrou e aprovou um projeto aumentando o poder de intervenção da Eletrobras nas operações financeiras dos Estados com a geração e a distribuição de eletricidade.

A Eletrobras não virou multinacional de energia, mas a parceria com o MDB continuou até o impeachment de Dilma Rousseff. As maracutaias no setor ganharam escala industrial, com repercussão proporcional na bolsa de valores de Nova York, a partir dos episódios de corrupção revelados na Lava Jato.

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Foi o próprio MDB, protagonista nos negócios da Eletrobras, que resgatou no governo Michel Temer o projeto de privatização da Eletrobras, já desidratada em relação ao valor de mercado que possuía em 1995.

Jair Bolsonaro, a contragosto, mandou o projeto ao Congresso, que em 2020 autorizou a venda da empresa. Desde então, o tribunal de contas, órgão assessor do Legislativo, discute detalhes dessa nova tentativa de privatização, ou capitalização.

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 Banco Central/VEJA

A venda da companhia pode render cerca de R$ 25 bilhões ao caixa de um governo aflito com o desempenho do seu candidato à reeleição. Lula, líder nas pesquisas eleitorais, quer mantê-la estatizada e ameaça “revisar” a venda, caso seja eleito.

O candidato do PT tem aliados no plenário TCU. Um deles é Vital do Rego, ex-senador pelo MDB da Paraíba e antigo relator da Medida Provisória (nº 641/2014) que mudou a estrutura do setor e congelou os preços de eletricidade durante o governo Dilma. O resultado prático foi um rombo bilionário nas finanças da Eletrobras, repassado aos consumidores.

O governo acha que Lula pressiona o tribunal para não aprovar a privatização. Vital do Rego disse ontem que não será “emparedado” pelo governo.

A batalha política pela Eletrobras está completando 27 anos e continua imprevisível— assim como a luta pelo controle do caixa da Petrobras.

Na essência, o impasse político é sobre o papel do Estado na economia. Para os consumidores sobra a conta.

A energia no Brasil já é das mais caras do mundo. Foi responsável por metade da inflação (10,1%) do ano passado, informa o Banco Central.

As Manchetes dos Jornais por Todo Brasil