Header Ads Widget

RÁDIO iTABUNENSE


26 novembro 2021

Tê-los ou comê-los? Coreia do Sul discute proibir carne de cachorro


Todo dia é dia de “Batatinha frita, um dois, três…”, o jogo cruel da série Squid Game, para cães criados como comida num arco de países asiáticos – incluindo as duas Coreias, China e Vietnã.

As tentativas de acabar com o hábito esbarram em resistências culturais, especialmente dos mais velhos, habituados a gostar de bosintang, a sopa de carne de cachorro, nos quais enxergam qualidades culinárias e propriedades restaurativas, especialmente no verão.

Para jovens sul-coreanos, muitas vezes vestidos como os ídolos do BTS, carne de cachorro causa tanta rejeição quanto aos brasileiros urbanos que descobrem o gosto por churrasco de bicho-preguiça ou ensopado de tatu em regiões de vida selvagem farta.

Os pratos com carne de cachorro, sem falar nas condições atrozes em que os animais são criados, também provocam constrangimento social, tanto na Coreia do Sul quanto na China, países que querem ser conhecidos pelos avanços tecnológicos e não por hábitos estranhos no mundo ocidental.

“Não teria chegado a hora de considerar prudentemente a proibição ao consumo de carne de cachorro?”, perguntou, cheio de dedos, Moon Jae In, o presidente de centro-esquerda que vive fazendo gestos não correspondidos de abertura para a Coreia do Norte – seus pais vieram de lá e ele teve uma infância muito pobre.

Moon criou uma força-tarefa para cuidar do assunto – e não parece ser um jeito de simplesmente camuflá-lo.

Com o desenvolvimento da Coreia do Sul, que nas últimas décadas chegou a 32 mil dólares per capita, cães acabaram virando pets, não apenas animais de companhia, mas símbolos de status. Um fenômeno semelhante aconteceu na China, onde o governo tem uma capacidade maior ainda de intervenção na vida dos cidadãos, mas ainda não conseguiu eliminar os cachorros do cardápio (e se a algum incauto for oferecido um prato chamado “O Tigre e o Dragão”, saiba que é uma sopa feita com carne de gato e de cobra).

“A Coreia do Sul é o único país desenvolvido do mundo onde se come carne de cachorro, algo que prejudica nossa imagem internacional”, espeta Lee Won Bok, diretor da Associação Coreana de Proteção dos Animais.

“Mesmo que o BTS e o Squid Game estejam em primeiro lugar no mundo, os estrangeiros ainda associam a Coreia do Sul à carne de cachorro e à Guerra da Coreia”.

O maior mercado de carne de cachorro de Seul fechou no começo do ano. Existem cerca de cem restaurantes na cidade onde a sopa canina ainda é servida. Segundo uma pesquisa do ano passado, 84% dos sul-coreanos nunca comeram o prato e 60% são a favor do fim desse comércio.

Continua após publicidade

Forçar a mudança de hábitos culturais, mesmo quando não são mais majoritários, pode provocar o efeito oposto.

A Covid-19 impulsionou a proibição do consumo de animais silvestres na China, mas ele está muito longe de ter sido eliminado.

Durante o longo reinado de Mao Tsé Tung, os cães foram sistematicamente eliminados como pragas que consumiam recursos racionados e espalhavam doenças (também lançou a campanha das Quatro Pestes, ratos, moscas, pernilongos e pardais, que resultou em grave desequilíbrio ecológico, num sinal de que nem um tirano formidável como ele podia dominar a natureza).

Ter cachorros, como ter filhos, virou um símbolo de status com a abertura da economia e a ascensão à classe média de centenas de milhões de chineses. A licença para ter cachorros custa caro, mas é claro que não faltam influencers caninos, cães que fazem sucesso nas redes sociais, como Sylar, o simpático border colllie que virou uma estrela do mundo digital e hoje tem uma casa com hidro e piscina avaliada em 500 mil dólares – seu dono ficou milionário com ele e abriu uma negócio de rações e brinquedos.

De brincadeira, é possível dizer que os cães domesticaram os humanos há cerca de dez mil anos, colocando-os a seu serviço para obter abrigo, comida e carinho. Comê-los, fora da região asiática onde são iguaria, só em casos extremos de fome, quando o tabu contra  ingerir carnívoros é suplantado pela lei da sobrevivência.

Longe dos olhos do público sensível aos pets, cães são utilizados em pesquisas de laboratório onde duas necessidades se confrontam: conhecer melhor doenças que nos afligem e os remédios para combatê-las e causar o menor sofrimento possível aos animais através dos quais podemos fazer isso.

Nada, por exemplo, abalou tanto o prestígio de Anthony Fauci, o virologista americano que se transformou em inimigo predileto dos conservadores, pelos argumentos, às vezes cambiantes, em favor de medidas restritivas na pandemia, quanto a divulgação de que seu instituto financiou pesquisas em que beagles eram cruelmente picados pelo mosquito que causa a leishmaniose.

Os exageros foram desmentidos, mas não a natureza da pesquisa.

Defensores mais apaixonados dos direitos dos animais contestam não apenas esse tipo de pesquisa, mas até que pets, mesmo bem tratados, sejam mantidos para o prazer de seus donos. Perdão, tutores.

Se tê-los é discutível, imaginem comê-los.

Alta dos preços da gasolina agrava a delicada situação econômica do país


Em meio aos fenômenos comportamentais descritos pela psicologia, existe um que trata de uma incômoda sensação de volta ao passado. É o chamado efeito de déjà-vu, em que elementos do cotidiano, lembranças e sensações dão a impressão de remeter a situações que já foram vivenciadas anteriormente. Nos últimos meses, a economia brasileira foi tomada por vários episódios que trouxeram de volta experiências que mereciam ficar esquecidas. O último e mais assustador desses fantasmas despontou em setembro e se instalou nas bombas de combustíveis, com um poderio maléfico nunca visto. A gasolina, que há um ano tinha preço médio de 4,35 reais o litro no país, hoje vale em média 6,75 reais. Em algumas cidades, como o Rio de Janeiro, o valor médio é maior e bate os 7,34 reais. Em Bagé, no Rio Grande do Sul, já chegou a 7,94 reais. São valores recorde, que não dão sinais de que devem ceder tão cedo e podem até aumentar e bater os 8 reais.

Como cavaleiros do apocalipse não andam sozinhos, o custo escorchante dos combustíveis ampara e retroalimenta outro espectro renascido do passado, a inflação, que já passou dos 10% no acumulado de doze meses. Até recentemente, os principais vilões para o aumento do índice nacional de preços ao consumidor amplo (IPCA) eram os alimentos, agora esse título pertence à gasolina, ao diesel e a outros derivados do petróleo. E, quando eles disparam, acontece algo de especialmente preocupante para a economia, uma vez que influenciam a formação de praticamente todos os outros preços de bens e serviços. Tanto é assim que os transportes representam, desde 2020, o maior peso na composição do índice oficial de inflação.

FOI ELE - Bolsonaro: discurso inflamado e ações eleitoreiras fizeram o dólar disparar - 

Essa é uma situação que tem potencial de piorar. Segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis, a Abicom, os preços do petróleo e derivados cobrados no país pela Petrobras ainda estão cerca de 5% abaixo do valor internacional, o que tem levado refinadoras a optar por comprar da estatal em vez de importar de fornecedores internacionais. Na terça-­feira 23, a petroleira anunciou que, em dezembro, pelo segundo mês consecutivo, não conseguirá atender a toda a demanda por gasolina e diesel no país, em razão de os pedidos terem sido atipicamente altos. Trata-se de um preocupante risco no horizonte, porque, se faltar combustível, a pressão sobre os preços aumentará mais ainda.

arte Petro

Em meio à carestia, todos os olhos inevitavelmente se voltam para a Petrobras. Com sua política (correta, diga-se) de definir preços de acordo com os padrões internacionais, tor­na-se alvo de pressão de políticos em busca de soluções simplistas e populistas. Do presidente da República a congressistas dos mais diferentes matizes, muitos defendem o controle de preços e a intervenção nas políticas da estatal em maior ou menor grau. No fim de outubro, Jair Bolsonaro chegou a declarar que a empresa — uma corporação mista com acionistas no Brasil e no exterior, sujeita às regras internacionais de boa governança — não deveria ter lucros elevados. Na última semana, o presidente afirmou que está reavaliando “a questão da paridade com o preço internacional”.

Esperança de algum bom senso, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), também anda decepcionando. Nos últimos meses, ele atacou por diversas vezes a política da Petrobras, que beneficiaria os seus acionistas, mas não a sociedade. Ambos deixam de mencionar que o principal acionista da empresa é exatamente o governo federal, cujos ganhos na forma de royalties repassados ao tesouro aumentam na proporção dos lucros. Em 2021, a Petrobras promete distribuir 63,4 bilhões de reais em dividendos, dos quais 23,3 bilhões serão direcionados para a União. Em depoimento ao Senado, o presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, foi incisivo nesse ponto: “Hoje, a Petrobras paga mais dividendos ao Estado brasileiro. Ela busca devolver ao Estado tudo aquilo que recebe”.

BODE EXPIATÓRIO - Plataforma da Petrobras: o governo quis transformar a empresa na grande responsável pela crise - 

Longe da visão simplista de alguns políticos, o brusco aumento no preço do petróleo tem causas complexas e não é uma realidade exclusiva do Brasil. De forma global, o mercado tem sido afetado pelas políticas estabelecidas pelos membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), que, desde o início da pandemia de Covid-19, reduziram o fluxo da matéria-prima para o resto do mundo como forma de controlar os preços. Pouco antes das quarentenas e lockdowns imobilizarem boa parte do planeta, os preços do petróleo Brent e WTI, referências no mercado internacional, rondavam em torno dos 60 dólares. No pior momento da crise sanitária, entre maio e abril de 2020, esse valor despencou a uma média de 15 dólares. Atualmente, com a volta da atividade em padrões acima do esperado, as cotações têm ficado em torno dos 80 dólares, o nível mais alto desde 2014, ano da última arrancada no valor da matéria-prima fóssil.

Desde o início do ano, a alta supera os 60%, e as perspectivas não são muito animadoras. O banco de investimentos Goldman Sachs estimou, no fim de outubro, que a pressão da demanda poderia elevar os preços acima dos 90 dólares ainda neste ano, e o Bank of America acredita que a marca dos 120 dólares pode ser atingida no primeiro semestre de 2022. A preocupação com o impacto dessas previsões levou o presidente americano Joe Biden a uma reação drástica. Na terça 23, ele anunciou que vai utilizar as reservas estratégicas dos Estados Unidos, em um esforço coordenado com outras grandes nações consumidoras, para enfrentar a crise. Os analistas acreditam que o esforço é louvável, mas não deve ter grande impacto em médio e longo prazo. “A alta do petróleo deve ser temporária, mas provavelmente vai impulsionar iniciativas que busquem dar uma solução mais definitiva ao problema, como a transição para a eletrificação dos veículos. Esse é um processo que no Brasil ainda demorará a acontecer”, afirma o ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy, diretor de estratégia econômica e de relações com mercados do Banco Safra.

PLANOS ENGAVETADOS - Dono de uma frota de cinquenta caminhões, Vanderlei Carlos teve prejuízo de 17% de seu faturamento e cancelou a compra de quinze novos veículos que já haviam sido encomendados - 

Dentro do governo Bolsonaro, a rea­ção aos preços do petróleo já passou por diversas etapas, todas erráticas, inócuas e contraproducentes na solução do problema. Houve a fase do presidente atacar os governadores, pelo fato de o ICMS ter um peso grande no preço final dos combustíveis. Nesse contexto, Lira conseguiu aprovar na Câmara, em outubro, uma lei para fixar a cobrança da alíquota, mas a matéria foi esquecida pelo Senado e desapareceu do discurso governista depois de analistas alertarem que o congelamento do ICMS não provocaria queda nos preços. Bolsonaro começou então a mencionar um interesse em privatizar a Petrobras, uma medida acertada mas bastante complexa e de difícil aprovação mesmo para um governo forte, o que não é o caso do atual. Tal movimento foi visto mais como uma tentativa de afastar as cobranças e desviar o foco das pressões de grupos que o apoiaram, particularmente caminhoneiros. “Vamos reclamar de quem é realmente responsável por isso. A Petrobras é responsável”, disse o presidente a uma rádio recentemente.

TROCA DE COMBUSTÍVEL - O aumento da gasolina levou a motorista de aplicativo Dayane Gonçalves Pereira a trocar seu Citroën C4 Lounge por um modelo adaptado com kit de gás natural veicular - 

O fato é que, hoje, no Brasil, a situação dos preços dos combustíveis é pior até mesmo do que em 2014, quando a cotação internacional passou dos 100 dólares. A grande diferença entre os dias atuais e aquela época é o descontrole sobre o dólar, que atingiu patamares recorde. Em 2020, a moeda americana subiu 30% e já tem alta de 8% neste ano. Isso acontece por causa das instabilidades políticas no país — provocadas pelo próprio Bolsonaro — e da percepção dos investidores de que o governo não hesitará em pôr as contas públicas em risco para tentar uma reeleição (sensação que ficou mais clara com as tratativas em torno da criação do Auxílio Brasil atrelado a um calote nos pagamentos de dívidas judiciais). Com o mercado financeiro mais receoso em colocar dinheiro no Brasil, o real se desvaloriza e tudo que tem valor atrelado ao dólar sofre súbita valorização. No caso do óleo diesel, o acréscimo ao preço nas refinarias foi de 65% e da gasolina, 73%. Um desastre.

DE VOLTA AO VIRTUAL - Gerente de uma indústria química, Marcos Camasso adotou em sua equipe a rotina de reuniões virtuais semelhantes às que mantinha nos períodos de quarentena. O objetivo agora é poupar o dinheiro da gasolina - 

Evidentemente, o aumento nos preços dos combustíveis provoca um efeito cascata que tem forçado consumidores e empresários a se adaptar à nova realidade. Dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) mostram que de janeiro a setembro mais de 160 000 veículos foram convertidos para gás natural veicular, prática que retoma um fenômeno recorrente em meados da década passada e que teve um aumento de 88,5% na comparação com o mesmo período do ano passado. “Costumava deixar metade de tudo o que eu recebia no posto de gasolina, então precisei de alternativas. Troquei meu carro por outro, com kit gás para diminuir meu gasto”, diz Dayane Gonçalves Pereira, de 30 anos, motorista de aplicativo. Empresários do setor de transportes como o capixaba Vanderlei Carlos de Oliveira, proprietário da Work Transportes e dono de cinquenta caminhões, foram obrigados a rever seus planos de negócios. “Antes, a minha margem de lucro era de 5% a 7%, agora meus prejuízos chegam a até 17% do faturamento. Eu tinha planejado comprar quinze caminhões neste ano, mas cancelei porque estou com veículos parados”, diz.

O que torna a situação particularmente crítica, para especialistas, é o alto grau de incerteza econômica provocada pelo governo. Eles acreditam que, num momento como o atual, o ideal seria propiciar o mínimo de estabilidade à economia para que o dólar baixasse — cenário quase utópico nas atuais circunstâncias. Bolsonaro ainda não entendeu que essa distorção no valor da gasolina, que se desdobra em números negativos para a economia, é justamente um dos fatores que pode dificultar ainda mais sua eleição. Mal-aconselhado pela turma do Centrão, sobra a tentação fácil da intervenção nos preços, um risco que pode complicar ainda mais um cenário já ruim. “Não há solução mágica para a alta dos combustíveis. Mas antes de mais nada é preciso respeitar o preço internacional, porque só assim você vai garantir o abastecimento do produto e ter competição ao longo da cadeia”, afirma Decio Oddone, ex-diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e atual CEO da Enauta, braço de óleo e gás do grupo Queiroz Galvão.

arte Petro

Uma proposta vista como mais factível para conter a crise atual e também combater outras no futuro é a criação de um fundo com recursos que absorvam impactos inesperados. “Existem dois fatores significativos para o preço dos combustíveis: o valor do barril de petróleo em âmbito internacional e a cotação do dólar. Para resolver o problema de estabilização de preços, é necessário que, quando o preço do petróleo aumentar lá fora, existam mecanismos para se aplainar os preços aqui”, explica Henrique Meirelles, secretário da Fazenda e Planejamento de São Paulo e ex-ministro da Fazenda. Formas de financiar fundos como esse têm sido discutidas pelo governo e congressistas. Há péssimas ideias, como a de criar um imposto sobre a importação de petróleo, que agrada a políticos do PT e a setores do governo atual.

AÇÃO FIRME - Refinaria nos Estados Unidos: petróleo trazido da reserva emergencial do país - 

A consequência pode ser uma diminuição do interesse de empresas em investir na extração no Brasil. Outra opção esdrúxula discutida no Congresso é a ideia de subsidiar os preços sempre que o petróleo passar dos 50 dólares, o que poderia forçar o governo a pagar por metade do preço, se ele chegasse aos 100 dólares. É algo inconcebível com as contas públicas na situação atual. Em uma linha mais racional, o ministro da Economia, Paulo Guedes, chegou a sugerir a criação do chamado Fundo Brasil, que seria abastecido pelos dividendos recebidos da estatal e por vendas de imóveis da União. Mas o ministro prefere que esse dinheiro seja direcionado a medidas de estímulo ao aumento de renda da população e não ao subsídio de combustíveis, ainda que em períodos anômalos.

À parte alternativas polêmicas e de curto prazo, uma receita de consenso entre os economistas é a necessidade de continuar estimulando a competição no mercado, com a venda das refinarias da Petrobras para a iniciativa privada. Trata-se de um programa que está em andamento, mas que deve provocar efeitos positivos nos preços apenas a médio e longo prazo. Para o momento atual, nada teria melhor impacto do que mostrar ao mercado que o governo preza uma economia saudável e competitiva, com respeito às melhores regras fiscais. Isso tiraria pressão para novas altas do dólar, que segundo analistas poderia cair para um patamar até 1 real mais baixo, barateando a gasolina. Seria também um bem-vin­do alívio à inflação, que tanto tem deteriorado as condições econômicas atuais. A questão é o governo entender isso. Até aqui, eles parecem preferir o oposto: jogar gasolina na fogueira.

25 novembro 2021

Marília Mendonça: Laudo aponta que todos morreram com a queda do avião


A Polícia Civil de Minas Gerais informou nesta quinta-feira (25) que Marília Mendonça (1995-2021) e os outros quatro tripulantes da aeronave que caiu em Caratinga (MG) morreram instantaneamente. As autoridades deram uma entrevista coletiva para informar que todas as vítimas sofreram politraumatismo na tragédia ocorrida em 5 de novembro. 

Além da cantora sertaneja, estavam no voo o piloto Geraldo Medeiros, o copiloto Tarciso Viana, o produtor Henrique Ribeiro (conhecido como Henrique Bahia) e o tio e assessor da artista, Abicieli Silveira Dias Filho. Todos tiveram politraumatismo contuso no acidente, de acordo com o médico-legista Thales Bittencourt de Barcelos.

Segundo ele, todos os ocupantes morreram com o choque da aeronave com o solo, já que bateram as cabeças e os corpos com o impacto. "Os trabalhos de necrópsia foram finalizados. Em ocasiões anteriores já havia sido explanada a presença de indicadores de politraumatismo contuso em todos as vítimas", começou o agente.

Barcelos explicou que foram analisadas amostras do piloto e do copiloto para identificar se eles teriam algum problema de saúde, ou se haviam ingerido substâncias tóxicas ou alcoólicas, em busca de descobrir qualquer fator que pudesse ter contribuído para o acidente. Todas os testes deram negativo.

"Por segurança, o médico-legista coletou material para exames complementares que são realizados na capital, no Instituto Médico Legal em Belo Horizonte. Esses exames se prestam a identificar eventuais outras causas que poderiam contribuir de alguma forma com óbito. São exames toxicológicos, alcoólicos e exames anatomopatológicos, que são aqueles realizados em tecidos, como fragmentos de pulmão, de coração, de cérebro".

"Busca-se identificar uma eventual outra doença que a vítima possa ter e eventualmente ter associação com o óbito. Todos os exames dos tecidos vieram negativos para outras enfermidades que pudessem contribuir para a morte. Os exames de tecido confirmaram os traumas sofridos por todas as vítimas", continuou ele.

"Os exames toxicológicos e alcoólicos também não apontaram nenhum tipo de consumo de substância ou intoxicação que pudessem contribuir com os óbitos. Dessa forma, a conclusão final dos óbitos será por politraumatismo contuso para todas as cinco vítimas desse acidente aéreo", concluiu o médico-legista.

Em seguida, o delegado Ivan Lopes Sales, que comanda as investigações sobre o acidente, avisou que a polícia segue firme com a tese de que a aeronave caiu apenas porque batera em fios de alta tensão da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). 

O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais (Crea-MG) abriu uma investigação para apurar se a instalação de torres de distribuição da Cemig em Caratinga, é regular. 

A possibilidade de pane nos motores ainda não foi descartada, mas depende da investigação do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos). 

Morte de Marília Mendonça

Marília Mendonça morreu aos 26 anos após a queda do avião em que estava na cidade de Caratinga, Minas Gerais, em 5 de novembro. A cantora deixou um filho, Léo Mendonça Huff, de um ano e 11 meses, fruto de seu relacionamento com Murilo Huff. 

A aeronave Beechcraft King Air C90a que levava a cantora e sua equipe à cidade mineira onde ela se apresentaria caiu por volta das 15h30 daquele dia. O modelo do bimotor é bastante utilizado na aviação executiva no mundo inteiro e é propriedade da companhia de táxi aéreo PEC.

O jornalista William Waack, que também é piloto licenciado, chegou a dar uma aula na CNN Brasil na madrugada de 6 de novembro ao falar sobre a queda do avião que transportava a cantora Marília. Com cálculos simples, ele informou que a aeronave voava baixo quando se chocou com os fios de alta tensão antes de parar no meio de uma cachoeira.

23 novembro 2021

Julgamento de filhos da ex-deputada Flordelis começa nesta terça-feira


Dois filhos da ex-deputada federal Flordelis irão a júri popular a partir desta terça-feira (23/11). Flávio Rodrigues e Lucas Cézar de Souza são acusados do homicídio do pastor Anderson do Carmo, que era marido de Flordelis, em 2019. O julgamento ocorre no Tribunal do Júri de Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. 

De acordo com o Ministério Público, Flávio, que é filho biológico de Flordelis, teria sido autor dos tiros que mataram o pastor. Ele é acusado de homicídio triplamente qualificado e de porte de arma de fogo de uso restrito. Flávio chegou a confessar que teria atirado em Anderson no início da investigação, mas depois mudou de versão e negou envolvimento no crime. 

Já o filho adotivo de Flordelis, Lucas César, é acusado de ter adquirido a arma e de participação na morte de Anderson. Lucas admitiu que comprou a arma, mas nega que sabia que o artefato seria usado para cometer o crime. 

A previsão é que 17 testemunhas sejam ouvidas, entre elas estão outros quatro filhos da ex-deputada: Daniel dos Santos de Souza, Roberta dos Santos, Wagner Andrade Pimenta, o Misael, e Alexander Felipe Matos Mendes, o Luan. Eles acusaram a mãe de envolvimento na morte do pastor.

Flordelis  está presa desde agosto, quando teve o mandato cassado na Câmara dos Deputados. Ela é acusada de ser a mandante do assassinato. A ex-parlamentar também será submetida a júri popular, assim como outros sete acusados de envolvimento no crime. 

O pastor Anderson foi morto com 30 tiros na porta de casa em Pendotiba, em Niterói. Na época, Flordelis disse que tinha sido um assalto.

Confira gabarito extraoficial do primeiro dia de provas do Enem 2021


Pelo décimo ano seguido, o Chromos Colégio e Pré, em parceria com o Portal Uai, promove a correção e divulgação antecipada dos gabaritos extraoficiais das provas impressas do Enem 2021, realizadas neste domingo (21/11) e no próximo (28/11).

Hoje, além da redação, os candidatos fizeram as provas objetivas de linguagens e ciências humanas.

O Gabarito Chromos Enem envolve uma equipe de mais de 100 professores de diversas áreas do conhecimento e especialistas no exame. Além de fechar e lançar as respostas, que estarão disponíveis no Portal Uai assim que a prova terminar, os professores vão gravar vídeos em tempo real resolvendo e comentando as questões. Os vídeos com as questões comentadas estarão disponíveis nas redes sociais do preparatório (Twitter, Instagram, Facebook e Youtube).

Segundo dados do Inep, Minas Gerais é o segundo estado com maior número de inscrições confirmadas, alcançando 300.868 inscritos, ficando atrás apenas de São Paulo, que registrou 470 mil.

Confira a programação do Gabarito Chromos Enem

- 21 de novembro: publicação do gabarito, a partir das 18h30, das respostas do 1º dia de prova com todas as questões em vídeo. A partir das 20h00, Live com os professores do Chromos Rede de Ensino, repercutindo todo o 1º dia de provas.

- 22 a 27 de novembro: matérias com análise das áreas e principais questões da prova.

- 28 de novembro: publicação, a partir das 18h00, das respostas do 2º dia de prova com todas as questões em vídeo. A partir das 20h00, Live com os professores do Chromos, repercutindo o 2º dia de provas.

- 29 de novembro: confira o gabarito completo com todas as questões comentadas do 1º e do 2º dia de provas.

- 1º de dezembro: previsão de divulgação do gabarito oficial do ENEM 2021 pelo INEP.

Enem 2021: informações gerais

O Enem 2021 está previsto para ser aplicado em dois períodos. Nos dias 21 e 28 de novembro de 2021 será a vez daqueles que se inscreveram na chamada regular da avaliação. Já em 9 e 16 de janeiro de 2022 será a vez dos candidatos que se inscreveram na reabertura do cronograma, exclusivamente para quem teve isenção em 2020, mas não compareceu nos dias das provas. Independentemente da data de aplicação, a prova será composta da seguinte maneira:

- 1º dia: 45 questões de Linguagens e Códigos + Redação 45 perguntas de Ciências Humanas
- 2º dia: 45 questões de Ciências da Natureza 45 perguntas de Matemática
- Os portões são abertos às 12h e fechados às 13h. Já as provas são distribuídas às 13h30 (horário de Brasília).
- O gabarito oficial costuma ser divulgado em três dias úteis após o último domingo de provas. Mas você pode acessar o gabarito extraoficial do Chromos Colégio e Pré e Portal Uai, clicando aqui.
- Para ter acesso ao horário, dia e local de prova, o participante precisa acessar o cartão de confirmação, caso não tenha recebido as informações por e-mail.

Gabaritos do dia 21/11:


 

 




 
 

Lula ultrapassa Bolsonaro em popularidade nas redes sociais. Moro fica em terceiro


A vitoriosa viagem de Lula pela Europa, sendo aplaudido de pé no Parlamento Europeu e recebido com honras de chefe de Estado na França, fez o petista disparar no Índice de Popularidade Digital (IPD) calculado pela Quaest Consultoria e Pesquisa. Lula atingiu 63,9 pontos em 16 de novembro contra 57,9 de Bolsonaro. O ex-juiz Sergio Moro ficou em terceiro, com 30,7 pontos.

Segundo o cientista político Felipe Nunes, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e diretor a Quaest, pouco antes de desembarcar na Europa, em 5 de novembro, o ex-presidente estava em seu pior  momento no IPD (outubro/novembro), com 36,1 pontos. Mas houve uma inversão e o petista cresceu 27,8 pontos.

O pesquisador ressalta que, apesar de ser ultrapassado por Lula, Bolsonaro continua como o mais popular nas redes. E se mantém em lugar de destaque nas menções graças a seu comportamento menos raivoso. “Esse estilo mais calado está contribuindo para manter Bolsonaro no pelotão de cima, sem grandes volatilidades, como costumava acontecer com ele no IPD nos últimos tempos”, analisa Nunes.

Gabinete do Ódio

Apesar de ver Lula como maior adversário nas eleições, Bolsonaro tem se preocupado demais com o forte crescimento de Sergio Moro. Não à toa, o vereador Carlos Bolsonaro escalou o Gabinete do Ódio para tentar abater o ex-juiz em pleno voo. Ele pode tirar muito votos do presidente.

Na terça-feira passada (16/11), quando o relatório foi concluído, Moro apareceu em terceiro lugar, com 30,7 pontos, à frente do ex-ministro Ciro Gomes (PDT), com 28,9 pontos. A filiação ao Podemos e o discurso de pré-candidato à Presidência contribuíram para os bons resultados do ex-juiz, assinala o diretor da Quaest. Ciro, que tem uma forte estratégia nas redes, manteve-se no patamar entre 28 e 30 pontos.

“Moro assumiu a terceira colocação no IPD e teve uma evolução considerável, principalmente se lembrarmos que, no dia 25 de outubro, a pontuação dele era de 17,2. Sua candidatura tem chamado a atenção e gerado engajamento e mobilização digital”, avalia Felipe Nunes.

Para ele, “se isso vai se manter, é outra história. É bom lembrar que outros políticos já obtiveram performance similar em momentos específicos, mas nenhum deles conseguiu sustentar esse bom desempenho por muito tempo”.

Brasília, 15h41min

22 novembro 2021

Cinco policiais militares estão entre os suspeitos de ataque a assentamento na BA


Cinco policiais militares estão entre os envolvidos no ataque ao assentamento localizado em Catu de Abrantes, no município de Camaçari, na região metropolitana de Salvador, na madrugada deste sábado (20).

A presença dos militares foi confirmada no final da tarde pela Polícia Militar, através de nota.

Homens encapuzados invadiram o assentamento e derrubaram casas com tratores. No local, moravam cerca de 30 famílias.

Ainda de acordo com a PM, policiais foram acionados por volta de 01h15 deste sábado, após a denúncia de que vários carros com homens armados e encapuzados teriam invadido o acampamento e efetuado disparos de arma de fogo.

Além de derrubarem imóveis com uso de tratores, os suspeitos atearam fogo em utensílios domésticos com gasolina. Eles deixaram o local pela Via Metropolitana. Após perseguição policial, um comboio de veículos foi localizado pelos policiais, próximo da Praça de Pedágio, sentido Simões Filho.

Todos os suspeitos, incluindo cinco PMs, foram apresentados na 27ª Delegacia, em Itinga, em Lauro de Freitas. Em seguida, os policiais militares foram conduzidos para a Corregedoria-Geral da PMBA. A polícia não divulgou se os militares seguem presos.

Moradores relatam momentos de tensão
Segundo os moradores, há uma especulação imobiliária para implantação de um condomínio de luxo no local. Eles relataram momentos de tensão após o ataque.

"Eles entraram nas casas e, quando a gente evadiu, eles saíram saqueando tudo. No caminho, quando eles se depararam com a viatura, saíram dispensando alguns móveis da gente. Foi uma agonia arretada, tocaram fogo nas casas e a gente correu para o mato", disse um outro morador.

Fonte: G1

Quatro pessoas morrem após troca de tiros no bairro de Águas Claras


Quatro pessoas morreram após serem atingidas em uma troca de tiros no bairro de Águas Claras, no início da manhã desta segunda-feira (22). A suspeita é de que havia disputa por territórios de tráfico de drogas no local.

De acordo com a Polícia Militar, por volta das 4h, equipes das Rondas Especiais e da 3ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM) foram chamadas para atender uma denúncia de tiroteio no loteamento Condor.

A PM detalhou ainda que quando os agentes chegaram ao local, foram recebidos a tiros. Depois dessa situação, os quatro feridos foram encontrados logo em seguida. Os nomes das vítimas não foram divulgados.

A polícia informou que os baleados foram levados para o Hospital Professor Eládio Lasserre, mas não resistiram aos ferimentos.

Bolsonaro diz que é ‘quase impossível’ ter fraude na urna eletrônica

 


Batalha “perdida” de Bolsonaro, o voto impresso foi enterrado de vez pelo governo e por aliados. Nesta segunda-feira, o presidente voltou a admitir, a apoiadores, que a urna eletrônica é quase 100% segura.

“O ideal é o voto no papel, impresso, mas agora fica quase impossível uma fraude, porque partimos do princípio de que não vai virar cooptação de militar nessa questão”, disse a apoiadores na saída do Palácio do Alvorada.

Bolsonaro defendeu que a força-tarefa de auditoria instituída pelo TSE com dez instituições — entre elas as Forças Armadas — para as eleições do ano que vem vão garantir a segurança do voto.

“Nós vamos participar da primeira fase, do código-fonte, até a sala secreta. Não vai ter problema”, afirmou.

Ao comentar, porém, a suspensão das prévias do PSDB devido a falhas no aplicativo do partido, Bolsonaro atribuiu a “confusão” ao voto eletrônico.

“Vocês viram a confusão ontem? Não vou falar disso, porque eu não tenho nada a ver com outro partido. Mas deu uma confusão em São Paulo ontem. É o tal do voto eletrônico”, disse aos apoiadores.

Proposta de Lira e Temer, semipresidencialismo é ‘idiota’, diz Bolsonaro


“E esse negócio de semipresidencialismo?”, questionou um apoiador ao presidente Jair Bolsonaro na manhã desta segunda-feira, no cercadinho do Palácio do Planalto. Sem citar o nome de nenhum apoiador da iniciativa, defendida por Arthur Lira, Michel Temer e ministros do STF como Luís Roberto Barroso, Gilmar Mendes e Dias Toffoi, Bolsonaro passou a desancar a proposta e seus patrocinadores:

“Tem certas coisas que é tão idiota que não dá nem pra discutir. Eu não vou começar a bater boca com ninguém sobre esse assunto. É coisa idiota, idiota. Agora eu falo que jogo dentro das quatro linhas [da Constituição], quem sair fora, daí eu saio também… daí eu sou obrigado a combater o cara fora das quatro linhas. Tá ok?”, declarou o presidente.

Dizendo que não discutiria a a questão, ele continuou a resposta:

“Agora você pode ver: se você for levar ao pé da letra o semipresidencialismo ou outro regime parecido, eu teria poder pra dissolver o Congresso, olha aí, tá vendo? Então eu não vou discutir. Você vai começar a discutir quem veio primeiro, o ovo ou a galinha? Não vai chegar a lugar nenhum”.

Bolsonaro comentou ainda que “lançam isso daí” para “acobertar outras coisas”. “O que muita gente tá preocupada é que acabou a mamata. Olha o prejuízo das estatais no passado e o lucro agora. A roubalheira na Petrobras…”, afirmou o presidente, lembrando-se que tocou em um ponto sensível para a sua popularidade.

“A gasolina tá cara? Custa 2,30 [reais] a gasolina o litro, tá? 2,30. Chega 7 na ponta da linha, depois tem que saber por que que chega 7 , não me culpar. É o que eu falei outro dia aqui, o cara brocha em casa, me culpa”, concluiu o assunto.

Na semana passada, durante o fórum promovido pelo Gilmar Mendes em Lisboa, o presidente da Câmara defendeu o semipresidencialismo com o argumento de “a previsão de uma dupla responsabilidade do governo, ou de uma responsabilidade compartilhada do governo, que responderia tanto ao presidente da República quanto ao Parlamento, pode ser a engrenagem institucional que tanto nos faz falta nos momentos de crises políticas mais agudas”.

No mesmo evento, Dias Toffoli causou polêmica entre os bolsonaristas ao declarar que o Brasil já tem um semipresidencialismo “com um controle de poder moderador que hoje é exercido pelo Supremo Tribunal Federal”. “Basta verificar todo esse período da pandemia”, comentou o ministro.

Moro convida ex-ministra Eliana Calmon para dobradinha eleitoral na Bahia


Em franca movimentação para pavimentar sua candidatura a presidente, o ex-juiz federal Sérgio Moro, recém-filiado ao Podemos, convidou a baiana Eliana Calmon, ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), para uma eventual dobradinha na disputa pelo governo do estado. O convite foi feito na última quinta-feira, quando ambos se encontraram com integrantes da direção nacional do Podemos. A princípio, Eliana havia ido à reunião apenas para hipotecar apoio a ele na corrida presidencial. Contudo, Moro e os cardeais da sigla surpreenderam a ex-ministra ao sugerir que ela concorresse ao Palácio de Ondina, garantindo um palanque para o ex-juiz na Bahia.

Ponto de interrogação 
Conhecida como crítica ferrenha da corrupção no Judiciário, Eliana Calmon se disse lisonjeada com o convite, mas afirmou que precisaria de tempo para pensar. A aliados, a ex-ministra alegou que, aos 77 anos, tem dúvidas sobre a disposição para encarar uma campanha ao governo do estado, embora não descarte a hipótese.

Mosca na sopa
As costuras de Moro entraram no radar de políticos baianos de variadas alas, todos atentos ao efeito que ele pode gerar na sucessão. Sobretudo, ao presidente Jair Bolsonaro. Caso a popularidade de Bolsonaro mantenha o viés de queda, a avaliação é que Moro tem chance alta de tomar o lugar do presidente em um possível segundo turno. Com isso, virou player a ser seguido de perto.  

Além do previsto
A equipe do ex-prefeito ACM Neto (DEM) não esconde o espanto com o número de lideranças que já garantiram presença no lançamento da sua pré-candidatura ao governo no próximo dia 2. A menos de duas semanas, a lista de políticos de destaque local e nacional interessados em participar do evento está bem acima da previsão inicial.

Unha e carne
Decidido a brigar por uma vaga de deputado federal, o presidente da Câmara de Salvador, Geraldo Júnior (MDB), elegeu como parceiro principal o vereador Emerson Penalva (Podemos), candidato a estadual. Em busca de votos casados, um virou a sombra do outro nas andanças pelo interior.

Ganho de causa
A Via Bahia conquistou um triunfo significativo na guerra travada com o Ministério da Infraestrutura em torno do controle das BRs 324 e 116. Após aproximadamente sete anos de atraso, a Agência Nacional dos Transportes Terrestres (ANTT) iniciou, no último dia 18, o processo de revisão quinquenal prevista no contrato de concessão para 2014 e 2019. A etapa seguinte será a realização de audiência pública de 29 de novembro a 12 de janeiro para discutir a proposta de reequilíbrio financeiro do contrato. 

Guarda alta
Apesar da vitória, a Via Bahia sabe que terá uma batalha dura pela frente. Isso porque a ANTT rejeitou todos os 56 pontos do plano de investimentos em obras viárias apresentado pela empresa, estimado em R$ 8 bilhões.  

Enquanto a história empodera pensamentos e o povo negro se emancipa, apesar de toda  adversidade, o racista é o único que escolhe mergulhar na própria ignorância
Elmar Nascimento, deputado federal pelo DEM da Bahia, ao fazer reflexão sobre o Dia da Consciência Negra, comemorado anteontem

Jair Bolsonaro sanciona Auxílio Gás; veja quem tem direito ao benefício

 Valor será correspondente a uma parcela de, no mínimo, 50% da média do preço nacional

O presidente da República, Jair Bolsonaro, sancionou o Projeto de Lei que institui o Auxílio Gás dos brasileiros. A Lei está publicada no Diário Oficial da União desta segunda-feira, 22. O Auxílio Gás irá beneficiar famílias de baixa renda inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) do governo federal com renda familiar mensal per capita menor ou igual a meio salário mínimo nacional, ou que tenham entre seus membros residentes no mesmo domicílio quem receba o benefício de prestação continuada da assistência social.

Segundo a Lei, o auxílio será concedido preferencialmente às famílias com mulheres vítimas de violência doméstica que estejam sob o monitoramento de medidas protetivas de urgência.

As famílias com direito ao benefício receberão, a cada bimestre, o valor correspondente a uma parcela de, no mínimo, 50% da média do preço nacional de referência do botijão de 13 kg do gás de cozinha.

Em nota divulgada na manhã desta segunda-feira, a Secretaria Geral da Presidência da República informa que, para viabilizar o programa, o governo vai utilizar a estrutura do Auxílio Brasil para operacionalizar os pagamentos dos benefícios.

Entenda o que já se sabe sobre a vacina contra a covid-19 em crianças


Pfizer já solicitou autorização de uso; Instituto Butantan também já se movimenta

Desde que soube da possibilidade da vacinação em crianças contra a covid-19, a psicóloga Taís Oliveira, 33 anos, espera pelas doses das duas filhas - Maria Flor, 8, e Analu, de 1 ano e 7 meses. Antes mesmo de alguns países autorizarem, ela já tinha tentado até cadastrar a mais velha em um dos estudos com crianças voluntárias para testes dos imunizantes disponíveis. 

"Comecei a pesquisar e ver a possibilidade da vacinação infantil, até que teve uma época que estavam recrutando crianças. Cadastrei minha filha em um dos sites, mas não tive resposta. Depois, acabou sendo suspenso", conta ela, que atua na área clínica-hospitalar. Como profissional de saúde, ela reforça que sabia da importância da imunização. "Se deu certo em adulto, há uma grande possibilidade de dar certo em criança. Vacinas salvam vidas independente da idade", explica.

Assim como Taís, mães, pais e responsáveis em todo o Brasil estão ainda mais ansiosos porque, nos últimos dias, duas farmacêuticas têm feito movimentos importantes para a liberação da imunização neste público: na semana passada, a Pfizer oficializou o pedido à Agência Nacional da Vigilância Sanitária (Anvisa) para vacinar crianças de 5 a 11 anos contra a covid-19. O imunizante baseado em RNA mensageiro já é usado em adolescentes. O pedido está em análise e o órgão regulatório tem 30 dias para decidir.

Além disso, há a expectativa de o Instituto Butantan fazer o mesmo a qualquer momento nas próximas semanas, para o público dos 3 aos 17 anos. Segundo a Anvisa, não há pedidos em aberto atualmente, mas o instituto deve realizar o protocolo formal solicitando a ampliação de uso apresentando estudos de eficácia e segurança, incluindo dados clínicos de fase 3 de testes. 

Em agosto, o Butantan fez o primeiro pedido, que foi negado porque a Anvisa avaliou que havia limitação dos resultados apresentados na ocasião. De lá para cá, porém, a vacina já foi aplicada em mais de 70 milhões de crianças e adolescentes em países como Chile, Colômbia e China, de acordo com o Butantan, que  tem se reunido com a agência nas últimas semanas. Em todo o mundo, ao menos 10 países já vacinam crianças (menores de 12 anos) contra a covid-19, incluindo Estados Unidos, Chile, China, Argentina e Emirados  Árabes Unidos, com diferentes imunizantes. 

Entre os especialistas, a lista de razões para vacinar crianças contra a covid-19 é longa. Para o imunologista, pediatra e alergologista Celso Sant'Anna, a primeira é a necessidade de diminuição da circulação do vírus.

"Para isso, precisamos aumentar a quantidade de pessoas vacinadas para mais de 80%, 85% da população, para reduzir circulação de cepas mutantes e diminuir, por essas cepas, o risco de hospitalizações e óbitos", explica ele, que é professor do curso de Medicina da UniFTC e da Universidade Federal da Bahia (Ufba). 

Controle
Apesar de a vacina para crianças ser um dos maiores alvos de fake news, as principais entidades científicas e médicas já se posicionaram a favor da vacinação desse público. Em setembro, o Departamento Científico de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgou um documento ressaltando a importância da imunização para prevenir doenças e proteger a comunidade. 

No texto, a SBP afirma que, ainda que as crianças tenham frequência menor de covid-19 sintomática do que adultos, espaços frequentados por elas, como escolas e centros de esportes juvenis podem representar fontes importantes de surtos e transmissão, mesmo com a vacinação de adultos. De fato, as crianças são menos acometidas por covid-19 e costumam ter quadros mais brandos. 

Em Salvador, por exemplo, só 2% dos casos foram de crianças com idades até 9 anos, mas o índice dobra na faixa etária dos 10 aos 19 anos. No entanto, não é possível desprezar as mais de duas mil mortes de crianças por covid-19 no Brasil, como reforça o pediatra Eduardo Jorge, doutor em Saúde Materno-Infantil e membro do Departamento Científico da SBP. 

"Esse número é maior do que a soma de todos os óbitos de crianças nas doenças prevenidas por vacina somados. São duas mil vidas que foram perdidas e isso é algo que chama atenção. A gente também não pode esquecer a covid longa e suas consequências para o aprendizado e na parte cognitiva", explica, citando os sintomas que podem persistir por meses. 

Daí vem outro aspecto importante. Com o avanço da vacinação entre os adultos e adolescentes, as crianças acabam se tornando potenciais 'vetores' que facilitam a transmissão, já que não estão protegidas. "Elas podem transmitir a covid e transmitem para seus contactantes. Não será possível termos o controle da covid sem a gente ter as crianças devidamente vacinadas", reforça o médico, ressaltando que cerca de 25% da população brasileira é composta por crianças e adolescentes. 

Composição
Ao contrário do que muita gente imagina, a vacina da Pfizer usada em crianças não é igual a que vem sendo aplicada em pessoas com mais de 12 anos. Enquanto a de adolescentes e adultos tem 30 µg, a de crianças terá apenas 10 µg - ou seja, um terço do imunizante original. Nos dois casos, porém, trata-se de uma imunização em duas doses com intervalo de 21 dias.

Nos testes feitos pela farmacêutica, a vacina teve eficácia de cerca de 90% com o público pediátrico. Os ensaios compararam doses maiores, mas a menor se mostrou mais segura, além de ter conseguido ativar o sistema imune e reduzido o risco de infecção, segundo a imunologista Viviane Boaventura, pesquisadora da Rede Covida e da Fiocruz.  

Já a Coronavac, por sua vez, é tradicionalmente considerada uma das vacinas mais seguras do mercado, por ser feita com um vírus inativado. Ainda de acordo com Viviane, essa é uma das tecnologias mais antigas e conhecidas de desenvolvimento de imunizantes. Os estudos de fases 1 e 2 indicaram que 96% dos participantes produziram anticorpos.

"É pouco reatogênica, ou seja, causa poucos efeitos adversos, mesmo no local da aplicação. Em compensação, vacinas por vírus inativados costumam induzir níveis de proteção mais baixo que outras plataformas mais modernas como vetor viral e RNA", diz Viviane, citando ainda as vacinas como a da AstraZeneca e da Janssen, que são de vetor viral. 

Riscos 
Basta uma busca rápida para encontrar notícias falsas sobre a vacina em crianças que podem assustar as famílias. Só no último mês, o Comprova, projeto de checagem do qual o CORREIO faz parte, desmentiu fake news que iam desde posts enganosos sobre a eficácia do imunizante da Pfizer até que órfãos poloneses eram usados em experimentos da Pfizer e da Moderna (cuja vacina não está disponível no Brasil). 

No entanto, mesmo com tanta desinformação, a imunologista Viviane Boaventura ressalta que mães, pais e responsáveis não devem ter medo. Para começar, os imunizantes contra a covid-19 estão sendo administrados em escala mundial numa escala e velocidade nunca vistos antes. Além disso, há muita atenção voltada para investigar eventuais reações adversas, que são raras. 

"Minha recomendação é que confie nos estudos científicos e na competência dos órgãos regulatórios. Diferente do ano passado, finalmente temos nas nossas mãos a oportunidade de controlar essa epidemia e manter baixas as taxas de transmissão", reforça. 

De acordo com o imunologista e pediatra Celso Sant’Anna, da UniFTC e da Ufba, os efeitos colaterais de qualquer uma das vacinas são mínimos.

"Elas são altamente eficazes. Ninguém sairia vacinando se não tivesse benefício coletivo. (O receio) não se justifica nesse instante em que estamos vendo várias crianças com covid-19 sendo internadas", ressalta. 

Para mães como Taís Oliveira, é uma prevenção que pode trazer novas cores à vida das meninas, que foi duramente afetada pela pandemia. A mais nova, Analu, nasceu no começo dos casos. Demorou meses para que parentes próximos, como os avós, pudessem visitá-la pela primeira vez. Já a mais velha, Maria Flor, sem poder ir à escola, sofreu com a falta de socialização, como a maioria das crianças de sua geração. 

A psicóloga Taís Oliveira aguarda a autorização da vacina em crianças; a mais velha, Maria Flor, tem 8 anos, enquanto a mais nova, Analu, nasceu na pandemia

Como profissional de saúde, ela já tomou a terceira dose do imunizante e acredita que os pais não devem ter receio de vacinar os filhos. "Anos atrás, muitas doenças não tinham cura e as pessoas morriam pela falta de vacinas. Se as pessoas têm a possibilidade hoje, que aproveitem". 

Aprovação
Apesar do peso da aprovação dos Estados Unidos (tanto pelo FDA, a agência regulatória estadunidense, quanto pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças do país), no caso da vacina da Pfizer, a infectologista pediátrica Anne Galastri, membro da diretoria da Sociedade Baiana de Pediatria (Sobape), defende que é preciso respeitar os prazos da Anvisa. 

"Mas a gente tem boas esperanças vendo outros países vacinando crianças sem outros efeitos colaterais", diz. Ainda assim, ela reforça que não é o momento de descuidar da vacinação de outros públicos, enquanto essa liberação não acontece no Brasil. "Existem inúmeras pessoas que não tomaram a primeira dose e muitas que não voltaram para a segunda. Não adianta os pais estarem desesperados para vacinar os filhos se não se vacinarem nem incentivarem outros a se vacinar. Nós temos que vacinar quem já está liberado e aguardar os outros para fazer isso progressivamente", acrescenta.

Nos últimos dias, circulou a informação de que o Ministério da Saúde já negociava a compra de 40 milhões de doses da Pfizer para crianças, mas isso não foi confirmado pelo órgão. Em nota, o ministério informou que estão previstas 350 milhões de doses de vacinas contra a covid-19 para 2022. Dessas, 134 milhões seriam remanescentes de 2021. Segundo a pasta, os recursos para a aquisição serão garantidos e a campanha de vacinação seguirá no próximo ano.

Crianças devem completar caderneta obrigatória de vacinação

Enquanto a vacina contra a covid-19 não é disponibilizada a crianças, o alerta dos pediatras é para que mães, pais e responsáveis não deixem de completar a caderneta de vacinação dos filhos - ou seja, as vacinas obrigatórias que já são ofertadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) através do Programa Nacional de Imunização (PNI). Em 2020, o Brasil não atingiu a meta de cobertura de nenhuma das vacinas para crianças. 

"Precisamos reforçar a importância da vacinação em todas as faixas etárias pediátricas. Existe a carteira de cada idade, com vacinas como BCG, meningite, pneumonia e outras que estão estabelecidas há muitos anos", diz a a infectologista pediátrica Anne Galastri, membro da diretoria da Sociedade Baiana de Pediatria (Sobape). 

Desde 2015, o país vem registrando queda nas taxas de cobertura de vacinas. "A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Sobape estão extremamente preocupadas com isso, porque temos o risco iminente do retorno da pólio no Brasil. Já temos casos de sarampo e tudo isso se deve à não imunização com vacinas básicas, seguras e eficazes, todas disponíveis na rede pública", reforça. O retorno do sarampo aconteceu após o país ter ganhado certificado de erradicação da doença, em 2016. 

Reunião com governador sobre o Carnaval deve acontecer essa semana, diz Bruno

A reunião que pode decidir sobre a realização do Carnaval em Salvador no próximo ano deve acontecer ainda nesta semana, segundo o prefeito Bruno Reis. Nesta segunda-feira (22), ele afirmou a data ainda não foi definida. 

"A nossa expectativa é que possa ocorrer, provavelmente, essa semana", disse. O prefeito afirmou ainda que acredita que a situação está perto de ser definida. "Tenho fé de que a decisão está próxima de ser tomada. Se não for agora, vamos ver até quando pode ser adiada".

Bruno comentou sobre a manifestação que aconteceu no Farol da Barra nesse domingo, em favor da festa. "As manifestações são justas, legítimas. A gente compreende a angústia desse setor, afinal de contas já são quase 2 anos parados, sem ter renda, sem ter condição de garantir seu sustento, seu pão de cada dia. Estamos aguardando, dentro dos próximos dias, que a gente possa se reunir com o governador", disse o prefeito.

Para o vereador Claudio Tinoco (DEM), presidente da Comissão Especial de Acompanhamento da Retomada dos Eventos da Câmara Municipal de Salvador, o protesto mostrou que a festa não é importante apenas para os empresários. "A manifestação é legítima, existem pessoas de categorias que não são empresários que também dependem da festa, e essas manifestações estão ocorrendo por causa da falta de decisão", pontuou.

Tinoco disse ainda que, na sua opinião, não há mais tempo hábil para organizar a festa. Ele contou que vai a São Paulo na próxima quarta-feira para acompanhar os protocolos que vão ser implantados na cidade para realizar o Carnaval de rua. "A gente sempre conseguiu mostrar a capacidade de operação da festa e agora a gente está indo lá para ver como eles estão organizando. Isso demonstra nossa preocupação com a festa".

Coisa de rico? Em Salvador, camarão está mais barato que frango

 Seja fresco ou defumado, o crustáceo é peça importante na culinária baiana e pode ser encontrado por R$ 20, o quilo.

Vestindo uma bermuda folgada do Bahia que exibia o tradicional cofrinho na parte traseira, além de uma camiseta regata que desenhava sua barriga cultivada ao longo dos 65 anos, o aposentado Gerson Boquinha preparava seu kit de sobrevivência para o fim de semana na Ilha de Itaparica. A cerveja já estava no carro, um Corsa 2010. Faltava o tira-gosto. “Quero três quilos de camarão. E não me venha com essas  zorras pequenas, não. Quero as bitelas, pistolão”, exige o cliente, no Mercado do Peixe, em Água de Meninos. Alguém deve imaginar que seu Gerson está barão, montado na grana, né?  Longe disso..

“Antes, eu levava carne do sol para meu cafofo na ilha, mas está bem mais caro que camarão. Não sou rico, não. Mas aqui compro pistola por 30 conto, o quilo. A carne está 60”, revela Gerson, que mostra um outro lado da polêmica que envolveu o ator e diretor baiano, Wagner Moura. O artista foi alvo de críticas ao ser fotografado comendo uma quentinha de acarajé numa ocupação do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), em São Paulo. Tudo isso porque tinha camarão na bendita marmita. 

Na natureza, o camarão nem está perto do topo da cadeia alimentar. É um crustáceo que se alimenta de restos de animais. Um necrófago. Contudo, esse bichinho, em outro contexto, o da sociedade capitalista, se torna um símbolo culinário e de casta financeira: apenas os ricos podem apreciar sem moderação. Relacionar camarão com pobre ou movimentos populares  parece um absurdo e gerou revolta ver a iguaria na exibição popular do filme Marighella. 

Ver Wagner Moura comendo camarão numa quentinha causou revolta e trouxe à tona uma questão: só rico pode comer camarão? 

“Wagner Moura: para vocês mortadela. Para mim, camarão, seus otários!”, publicou o presidente da Fundação Cultural Palmares, Sérgio Camargo, compartilhando a foto da quentinha de Moura com camarão. Sabemos que acarajé não é servido com mortadela. O que muita gente não sabe é que camarão deixou de ser produto apenas para rico apreciar. Pelo menos aqui na Bahia, este bichinho está mais barato que um peito de frango no mercado.

“A procura aqui não para, é o dia todo as pessoas comprando camarão, seja para comer ou revender. Aqui eu vendo o camarão cinza, graúdo, a R$ 20 reais o quilo. Nessa crise, o camarão virou a melhor opção. Com o preço de um quilo de carne do sol você leva três de camarão. Quem fala que é coisa de rico não sabe a realidade que vivemos. Camarão é para todos”, disse Chiquinho, dono da Corno Pescados em Água de Meninos. Ele vende, em média, mais de 30 quilos de camarão por dia.  

Camarão x carne 
Para se ter uma ideia, uma bandeja de 1 quilo de peito de frango custa R$ 25 numa rede de mercados aqui de Salvador. Uma alcatra, R$ 50,99. É até sacrilégio comparar com o filé mignon: R$ 99,90. Já o camarão pistola no Mercado do Peixe custa, em média, R$ 38. Se chorar ainda consegue desconto ou o camarão descascado na hora, sem custo. Tudo bem que o camarão fresco não é utilizado no acarajé, mas o defumado ou seco. Mesmo assim, o preço não é o grande vilão da crise econômica. O valor do quilo está, em média, R$ 40. Achou muito? Pense que esta quantidade de camarão seco é o suficiente para fazer um caruru completo (com vatapá, feijão fradinho…) para mais de 20 pessoas, lembrando que ele faz parte de quase todas as receitas da comida baiana. Na Bahia, camarão é cultura, culinária e axé.

“Há elementos que são intrínsecos e fundamentais na cultura de um povo. Aqui na Bahia, quando falamos de camarão não é diferente. É algo muito importante na elaboração de comidas típicas, como a moqueca ou o caruru, além das comidas de oferendas no candomblé. Ele sempre está presente. Na Bahia, o camarão dá sabor, é peça indispensável na comida votiva, além de ser consumida por todas as classes sociais. É impossível imaginar a cultura baiana sem o camarão, seja no consumo, cultura e religiosidade. É fundamental”,  disse Leonel Monteiro,  presidente da Associação Brasileira de Preservação da Cultura Afro-Ameríndia (AFA).

Na cultura baiana, este crustáceo não é apenas um combo na hora de pagar mais caro pelo acarajé, tampouco é sinônimo de status econômico, como disse Leonel. O pequeno animal da família dos artrópodes tem um papel crucial na comida baiana, além de ser alimento fundamental para a maioria dos orixás no candomblé. Oxum não abre mão do sabor do camarão em seu prato conhecido como Omolocum. O Amalá de Xangô é caprichado no camarão. Nos pratos típicos, seja seco, defumado ou fresco, o bichinho está lá presente, quase como um companheiro fiel do dendê. Inclusive, a tradição de utilizar o camarão na Bahia não vem da Europa, mas da África. Meio óbvio, mas não custa explicar.

“Ainda hoje em ruas de cidades nigerianas como Lagos, Ibadan, Oxogbô, entre outras vizinhas, é possível encontrarmos ao lado de caças e peixes o camarão defumado, desmentindo a ideia de que os africanos não utilizam camarão. Talvez eles utilizem o mesmo que a gente”, explica o doutor Vilson Caetano, professor da Ufba com doutorado em antropologia da alimentação. “Na cozinha de ritual, o camarão é chamado, em yoruba, de Edé. Aparece como um divisor de águas. Há orixás que “ pegam” camarão e os que não “pegam”. A imagem do camarão é muito próxima à imagem do peixe e a do cavalo marinho. Todos são referendados como filhos, filhas e mensageiros das Águas”, disse Vilson, que também é babalorixá. Entre os orixás, apenas Oxalá, por conta do sal, além de certos tipos de Oguns, não ‘pegam’ camarão. Se nem os orixás dispensam um bom camarão, quem somos nós para recusar?

Vamos comparar?

Camarão (preço médio, Água de Meninos)   
Cinza graúdo com casca: R$ 20 (Kg)
Camarão pistola com casca: R$ 37 (Kg)
Camarão defumado ou seco: R$ 40 (Kg)

Carne, porco e frango (Kg)
Carne do Sol: R$ 54,99 
Alcatra: R$ 50,99 
Filé Mignon: R$ 99,90
Picanha: R$ 63,79
Bisteca suína: R$ 21,45
Coxa e sobrecoxa: R$ 23,99
Filé de frango: R$ 23,50

Bolsonaro estável, Lula e Moro em alta: veja como está a popularidade digital

 


Em fase morna nas redes sociais e ofuscado por novos fatos na corrida eleitoral de 2022, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ficou estável em popularidade digital, segundo ranking da consultoria Quaest, mas manteve a dianteira entre a última semana de outubro e a primeira quinzena deste mês.

No balanço mais recente do IPD (Índice de Popularidade Digital), Bolsonaro só foi derrubado da liderança no penúltimo dia do período analisado. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou ao topo na segunda-feira (15), com 1,87 ponto de vantagem. Na terça (16), tinha 63,9 pontos, contra 57,9 do rival.

O levantamento mostrou ainda um crescimento da pontuação do ex-juiz Sergio Moro em meio ao evento para sua filiação ao Podemos, que confirmou a entrada no páreo eleitoral. Ele encostou no ex-ministro Ciro Gomes (PDT) e, na terça-feira, quando o relatório foi concluído, estava em terceiro lugar.

Pelos números do IPD, o acirramento das tensões nas prévias do PSDB, com o afunilamento da disputa entre os governadores João Doria (SP) e Eduardo Leite (RS), foi insuficiente para catapultar a presença digital dos tucanos, que fecharam o ciclo em patamar inferior ao dos outros quatro adversários.

A métrica do IPD avalia, desde 2019, o desempenho de personalidades da política nacional nas plataformas Facebook, Instagram, Twitter, YouTube, Wikipedia e Google. A performance é medida em uma escala de 0 a 100, na qual o maior valor representa o máximo de popularidade.

São monitoradas seis dimensões nas redes: fama (número de seguidores), engajamento (comentários e curtidas por postagem), mobilização (compartilhamento das postagens), valência (reações positivas e negativas às postagens), presença (número de redes sociais em que a pessoa está ativa) e interesse (volume de buscas no Google, YouTube e Wikipedia).

Em suma, o quadro revelado agora pela Quaest reflete em parte as últimas pesquisas de intenção de voto. Bolsonaro e Lula são os que têm maior destaque no IPD neste momento, com leve vantagem para o atual ocupante do Planalto, dono de um histórico mais consolidado nas redes.

O mandatário, que esteve perto de bater o martelo sobre sua filiação ao PL, preservou seus índices no ranking mesmo após a informação de que estava "99% fechado" com a legenda do centrão, conforme o próprio anunciou no dia 8. Após reviravoltas, o ingresso dele na sigla ficou em suspenso.

Bolsonaro se manteve na casa dos 58 pontos, apesar do cenário de enfraquecimento político, com a pauta do governo estacionada no Congresso e o agravamento da crise social, com inflação disparada, descontrole nos preços de combustíveis e previsões econômicas pessimistas.

Apesar do mau estágio, o presidente desfruta de posição confortável no histórico do índice de popularidade desde 2019. Bolsonaro é, entre os presidenciáveis e atores políticos, quem tem o maior IPD médio, embora sua liderança seja ameaçada por oponentes em algumas ocasiões.

Já o petista, que nas sondagens de voto para 2022 lidera as preferências, encontra terreno instável no ambiente digital. A recente subida detectada no IPD coincide com a repercussão da viagem dele a países da Europa, iniciada no dia 11 e recheada de encontros com líderes políticos da região.

O maior salto na pontuação ocorreu na segunda-feira passada, quando Lula discursou no Parlamento Europeu, ao participar da Conferência de Alto Nível da América Latina, promovida pelo bloco social-democrata. O petista ganhou 12 pontos em relação ao dia anterior e virou o líder.

Para o cientista político Felipe Nunes, que é diretor da Quaest e responsável pelo IPD, Bolsonaro tem se beneficiado, de certa maneira, da recente mudança de tom nas redes, provavelmente em consequência do cerco a contas dele pelas plataformas e da remoção de conteúdos com desinformação.

"Esse estilo mais calado está contribuindo para mantê-lo no pelotão de cima, mas sem grandes volatilidades, como costumava acontecer com ele no IPD nos últimos tempos", diz.

No caso de Lula, Nunes avalia que a repercussão majoritariamente positiva do giro europeu está relacionada à elevação de pontuação, mas é preciso esperar para ver se o petista será capaz de sustentar o desempenho quando estiver com exposição menor ou sob ataques.

No dia 5, pouco antes de desembarcar na Europa, o ex-presidente estava em seu pior momento no último período observado pelo IPD (outubro/novembro), com 36,1 pontos. Seu resultado iniciou então uma trajetória de alta, que culminou na marca de 63,9 no dia 15 —uma diferença de 27,8 pontos.

Fora da rixa polarizada no topo do gráfico, a novidade é o fôlego tomado por Moro, com uma dimensão agora comparável à de Ciro. O ex-juiz da Operação Lava Jato e ex-ministro da Justiça do governo Bolsonaro cresceu na época em que confirmou sua entrada formal na política.

O pré-candidato ao Planalto, que aderiu ao Podemos no último dia 10 com discurso de pré-candidato à Presidência, fechou o período considerado pela Quaest com 30,7 pontos, à frente dos 28,9 pontos do pedetista, que se mantinha firme nesse patamar graças a uma estratégia forte nas redes.

"Moro assumiu a terceira colocação no IPD e teve uma evolução considerável, principalmente se lembrarmos que no dia 25 de outubro a pontuação dele era de 17,2. Sua candidatura tem chamado a atenção e gerado engajamento e mobilização digital", analisa Nunes.

Doria e Leite, por outro lado, "não empolgam", observa o diretor da Quaest.​ Os dois tucanos concorreram neste domingo (21) na votação interna para escolher o pré-candidato do PSDB ao Planalto e tiveram uma intensa visibilidade nas últimas semanas, com fartas ações para valorizar seus passes.

Apesar da movimentação, o paulista ficou em nível próximo dos 20 pontos, ora caindo ao nível dos 15. Encerrou o período, na terça (16), com 18,4 pontos, empatado com o gaúcho e seus 18 pontos. Leite vinha de uma sequência levemente mais vantajosa —teve pico de 25 pontos—, mas recuou.

Moro, Doria, Leite e Ciro competem pelo eleitorado que deseja a chamada terceira via, ou seja, uma candidatura alternativa a Lula e Bolsonaro. Os três primeiros tentam se cacifar como forças da centro-direita, enquanto o quarto é ligado à centro-esquerda, mas também busca aliança mais ampla.

O IPD monitorou ainda o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (MG), que migrou do DEM para o PSD a convite do ex-ministro Gilberto Kassab, interessado em lançá-lo candidato à Presidência. Pacheco tem presença tímida no meio digital e é pouco conhecido do eleitorado, o que pesou em sua nota.

O senador tinha 13,7 pontos no dia do fechamento do relatório do IPD, uma queda de 10 pontos em relação ao que atingiu em meados de outubro, logo após confirmar sua mudança de partido.