Header Ads Widget

RÁDIO iTABUNENSE


20 abril 2022

Sergio Moro admite que pode ‘não concorrer a nada’


 Sergio Moro disse na manhã desta quarta-feira à CNN Brasil que existe a possibilidade de não sair candidato a nenhum cargo nas eleições deste ano. Desde que deixou o Podemos e se filiou ao União Brasil, Moro ainda não tem claro qual será seu destino político.

O ex-juiz disse que a sua ida para o União Brasil, que anunciou Luciano Bivar como pré-candidato ao Planalto, foi para ajudar na construção de uma candidatura alternativa a de Jair Bolsonaro e a de Lula.

“A gente tem que construir um cenário de união nacional para que a gente possa vencer os extremos. Então, não está descartada nenhuma situação. Eu posso inclusive não concorrer a nada. Eu não vivo da política”, disse.

Moro comentou sua saída do Podemos, mas evitou fazer críticas abertas. Disse que lamentava os “dissabores” provocados por sua mudança e se furtou a dizer os motivos que o levaram a abandonar a legenda.

“Eu não voltei [do exterior] para pontuar em pesquisa ou coisa dessa espécie. Eu voltei para gerar as condições necessárias para vencer a polarização. Lamento todos os dissabores gerados ao Podemos, mas foi uma decisão em vista desse projeto político maior. Nós caminhamos juntos o quanto foi possível. Tem alguma pessoa lá que reclama, mas eles sabem muito bem os motivos da minha saída”, disse.

De olho no empresariado, Lula ajusta discurso sobre reforma trabalhista

 


O ex-presidente Lula começou sua pré-campanha batendo pesado na reforma trabalhista aprovada durante o governo de Michel Temer. Falava abertamente em revogar o texto.

O petista, no entanto, começou a conversar com empresários nas últimas semanas e sentiu o cheiro de queimado. Não dá simplesmente para falar em desconstruir algo sem mostrar o que, de fato, o petismo pensa em fazer com as leis que ficarão no lugar da reforma que ele quer revogar.

Daí que Lula ajustou o discurso. Agora, não fala mais em revogar. A palavra mágica do momento é “modernizar” a reforma.

“Eu recebi um documento do movimento sindical, todas as centrais sindicais me apoiaram, não para a gente revogar a reforma trabalhista, porque ninguém quer a volta ao passado. A gente quer reconstruir, criar uma relação de trabalho moderna, que leve em conta o mundo do trabalho de hoje, os avanços tecnológicos. Mas os trabalhadores precisam ser tratados com respeito, não podem ficar reféns, sem ter nenhuma seguridade social”, diz Lula

Passo a passo: entenda como será o julgamento de Daniel Silveira no STF


 Quando o ministro Luiz Fux abrir o julgamento do deputado bolsonarista Daniel Silveira nesta quarta, o primeiro passo do STF será fazer a leitura do relatório do caso, um detalhamento de todas as ações do parlamentar contra o STF, o regime democrático e a integridade física dos ministros da Corte.

Superada essa fase, a PGR, representada por Lindôra Araújo, terá uma hora para apresentar sua manifestação sobre o caso.

Na sequência, será a vez da defesa de Silveira falar por até uma hora e apresentar argumentos para tentar impedir a condenação do deputado.

Alexandre de Moraes, o condutor do caso, dará então o voto do relator pela condenação ou absolvição do bolsonarista. O voto de Moraes será sucedido pelo de Nunes Marques, o ministro revisor do caso. Não há limite de tempo para os votos dos ministros.

Superada essa fase, o primeiro ministro a votar será o mais novo do tribunal, André Mendonça. Na sequência virão os outros integrantes da Corte até que Fux conclua sua análise.

Se Silveira for condenado — o que é muito provável, segundo ministros ouvidos pelo Radar –, Moraes falará de novo, agora para decidir a pena que será aplicada a Silveira. Os outros ministros falarão na sequência.

Planalto abandona Daniel Silveira à própria sorte no STF


 Integrante da ala radical do bolsonarismo, o deputado Daniel Silveira foi entregue à própria sorte por Jair Bolsonaro e seus aliados no julgamento do STF nesta quarta.

Ministros que tradicionalmente são procurados por governistas para debater pleitos do Planalto não receberam telefonemas desta vez.

O silêncio nessa rota entre o palácio e o Supremo indica que o governo não quis tomar as dores do parlamentar, que caiu em desgraça por seus próprios atos, ao atacar ministros e pregar um novo golpe militar.

O que o novo tiro de Bolsonaro contra Alexandre de Moraes revela

 


O presidente Jair Bolsonaro está vivendo dias de desequilíbrio na sua postura em relação ao Supremo Tribunal Federal (STF) e às próximas eleições.

Não que isso nunca aconteceu, mas é que está acontecendo de novo, e de forma diferente – cada vez mais próximo do pleito.

Como a coluna mostrou no dia 13, o presidente mudou a estratégia em relação ao ministro Alexandre de Moraes e, em vez de somente atacar, cobrou uma postura do magistrado, como se ele fosse seu capacho.

Além disso, o presidente surpreendentemente afirmou nesta terça, 19, que as eleições de outubro devem seguir um ritmo normal. A fala contraria a própria postura de Bolsonaro, que adora duvidar da segurança do processo eleitoral.

A mudança, no entanto, durou pouco. Bolsonaro não se aguentou e voltou a atacar Moraes. E dessa vez a provocação é perigosa.

Continua após publicidade

“O Alexandre de Moraes falou que quem desconfiar do processo eleitoral vai ser cassado e preso. Ô Alexandre, eu tô desconfiado. Vai me prender? Vai cassar meu registro?”, questionou.

O presidente mostra sua verdadeira face ao provocar de forma irresponsável um ministro do STF. Normalmente, ele ataca e recua. Desta vez, recuou e depois atacou.

As declarações revelam, mais uma vez, que a postura moderada vista nos últimos dias não é real. Apenas uma tentativa mal engendrada de torná-lo um político e uma pessoa normal.

O que parece é que existe alguém ao lado de Bolsonaro tentando fazê-lo ser mais equilibrado, mas o desequilíbrio do presidente acaba sempre vencendo.

Esses comportamentos contraditórios devem se tornar mais frequentes conforme as eleições se aproximam. O eleitor terá a oportunidade de descobrir – se ainda não tiver decidido seu voto – quem é Bolsonaro.

De uma vez por todas.

O tiro de Sergio Moro em Datena


 Sergio Moro trocou o Podemos pelo União Brasil e deve disputar uma cadeira no Parlamento por São Paulo. Há uma ala do partido que deseja lançar Moro ao Senado. Outra ala, mais cautelosa, prefere que o ex-juiz da Lava-Jato busque uma vaga na Câmara dos Deputados.

A possibilidade de ter Moro como concorrente assustou o apresentador Luiz Datena, que saiu atacando o ex-ministro, dizendo que adoraria derrotá-lo nas urnas. Moro não deixou o apresentador sem resposta: “Datena, minha história é totalmente diferente da sua. Combati a corrupção e o crime organizado como ninguém fez nesse país. Tive coragem e posição firme, ao contrário de você que vive em uma bolha de vidro e não sabe se apoia Lula ou Bolsonaro. Aí as pessoas vaiam e com razão.”

27 fevereiro 2022

Putin coloca forças nucleares em alerta de combate devido a críticas da Otan à guerra na Ucrânia

Míssil intercontinental para ataques nucleares Iars durante o teste realizado no dia 19

Míssil intercontinental para ataques nucleares Iars durante o teste realizado no dia 19 - Ministério da Defesa da Rússia - 19.fev.2022/Reuters

"Autoridades dos países líderes da Otan permitem declarações agressivas contra o nosso país, então eu ordeno o ministro da Defesa e o chefe do Estado-Maior [das Forças Armadas] a colocar as forças de dissuasão do Exército russo para o modo especial de combate", disse o presidente, segundo a agência estatal Tass.

Não é claro o que "modo especial de combate" significa, mas é a primeira vez que tal tipo de alerta acontece. No seu pronunciamento em que anunciou a guerra, na quinta (24), Putin afirmou que qualquer interferência estrangeira na ação levaria a "consequências nunca antes vistas".

Desde o começo da crise, há quatro meses, EUA e aliados da Otan repetiram diversas vezes que apoiariam a Ucrânia e enviariam armas, mas não tropas. O risco de uma Terceira Guerra Mundial num embate desses foi colocado mais de uma vez pelo presidente Joe Biden.

Washington e Bruxelas reagiram. A embaixadora dos EUA na ONU, Linda Thomas-Greenfield, disse à rede CBS que "isso significa que o presidente Putin continua a escalar essa guerra de uma forma que é totalmente inaceitável, e nós temos de desviá-lo dessas ações da forma mais forte possível".

Já o secretário-geral da Otan, o norueguês Jens Stoltenberg, disse à CNN que a determinação é "retórica perigosa e irresponsável" por parte do russo.

No sábado anterior, dia 19, Putin convidou seu aliado belarusso Aleksandr Lukachenko para acompanhar um exercício em que testou a capacidade de combate e preparo de suas forças nucleares. Comandou o disparo de mísseis com capacidade nuclear de aviões, submarinos e de lançadores móveis.

A manobra e a ameaça feita na quinta serviam a dois propósitos. Primeiro, tentar riscar uma linha para que o Ocidente não se envolva num assunto que considera seu —embora sua demanda majoritária seja exatamente evitar que estruturas como a Otan (aliança militar ocidental) e a União Europeia sigam se expandido rumo a seu entorno, abarcando Kiev.

Isso pode sinalizar algo complicado: a expectativa de que as negociações para tentar acabar a guerra com os ucranianos falhem e ele escale a violência de seu assalto.

Segundo, Putin precisa reforçar para o público doméstico a noção de que a guerra, que na mídia russa só pode ser chamada por ordem do governo de "operação militar especial", é uma reação a uma ameaça percebida de que o Ocidente é o adversário real do país.

Essa vem sendo sua tônica, de forma progressiva, desde que denunciou a expansão da Otan num discurso em Munique, em 2007. Dois picos práticos foram atingidos: quando foi à guerra contra a Geórgia em 2008 para evitar a entrada da ex-república soviética na aliança e quando anexou a Crimeia e fomentou a guerra civil no leste da Ucrânia pelos mesmos motivos em 2014.

O anúncio deste domingo segue a mesma lógica —ao menos é o que se espera, como disse um analista político que pediu para não ser identificado e disse estar genuinamente amedrontado com o rumo da crise. Como a lógica dizia que Putin não atacaria de fato a Ucrânia, tudo parece estar na mesa às vezes.

Só que uma guerra nuclear não é um embate convencional. Sua escalada é vista como quase inevitável, e no fim do caminho há o apocalipse. Tanto é assim que as cinco potências com assento no Conselho de Segurança da ONU (Rússia, EUA, França, Reino Unido e China), todas detentoras da bomba, assinaram um documento em janeiro se comprometendo a nunca iniciar um conflito com essas armas.

Agora, contudo, Putin parece estar reagindo retoricamente ao cerco político-econômico do Ocidente contra seu governo.

No sábado (27), ele viu vários países anunciando que vão limitar sua capacidade de fazer transações internacionais e ameaçarem impedir a Rússia de acessar seus US$ 643 bilhões em reservas internacionais, guardadas como colchão justamente para um aumento na severidade de sanções a que o país já é submetido desde 2014.

Neste domingo, além de ver aliados como Hungria e Turquia criticarem Putin, a Alemanha anunciou que vai triplicar seu gasto militar neste ano para conter o que o premiê Olaf Scholz chamou de agressão do russo.

A Rússia tem o maior arsenal nuclear do mundo, e do ponto de vista operacional empata em capacidades com os Estados Unidos. Ambos os países chegaram a concentrar 70 mil ogivas em 1990, no ocaso da Guerra Fria encerrada no ano seguinte com a dissolução da União Soviética.

Todo dia, por determinação do tratado Novo Start, ambos os países têm 1.600 ogivas estratégicas, aquelas para uso em uma guerra total, para destruição em larga escala, prontas para uso em submarinos, bombardeiros e mísseis lançados do solo.

No exercício do dia 19, Putin fez questão de lançar também um míssil hipersônico, arma que é vista como vital nas guerras do futuro, por atingir seus alvos manobrando no caminho, desviando de defesas.

Após visitar a Amazônia, americana tem três larvas removidas do corpo; uma delas, de olho

 


Uma americana radicada na Índia foi submetida a uma cirurgia para remover três larvas de mosca do corpo — uma delas na cavidade do olho direito, um caso raro.

A mulher de 32 anos havia recentemente visitado a Amazônia, onde o problema teria se iniciado. Ela começou a perceber um estranho movimento na sua pálpebra direita e decidiu procurar um médico. O quadro foi diagnosticado como miíase, mais conhecida como berne ou bicheira.

Na cirurgia em Nova Délhi (Índia), o médico descobriu que, além da intrusa no olho, outras duas larvas parasitavam outras partes do corpo da paciente: uma na nuca e outra no antebraço direito. Cada uma tinha cerca de 2 centímetros de comprimento, contou o "India.com".

Se as larvas não forem retiradas, podem causar significativa destruição de tecidos.

Casos de miíase costumam ser relatados em áreas tropicais e subtropicais, como Américas Central e do Sul e África. Uma mulher de 62 anos, que havia visitado região de selva na Colômbia, por exemplo, acabou em um consultório de Nova York (EUA) reclamando de nódulos nas costas e nas nádegas. Na verdade, ela tinha seis larvas no corpo. A paciente foi anestesiada, e as larvas de mosca terminaram removidas, de acordo com relato na revista médica "New England Journal of Medicine".

Nódulos nas costas eram, na verdade, larvas no corpo de paciente
Nódulos nas costas eram, na verdade, larvas no corpo de paciente Foto: Reprodução/New England Journal of Medicine

Larvas de mosca retiradas de paciente nos EUA
Larvas de mosca retiradas de paciente nos EUA Foto: Reprodução/New England Journal of Medicine

Se o Brasil entrasse em guerra, quem seria convocado e quem teria dispensa?

 


As cenas de pais de família ucranianos se despedindo de esposas e filhos, que fugiam da Ucrânia enquanto os homens são proibidos de deixar o país, sensibilizaram, e muito, os brasileiros. Além disso, levaram a uma pergunta: como seria se o Brasil entrasse em uma guerra, como é o caso de Rússia e Ucrânia?

No país ucraniano, homens de 18 a 60 anos não podem deixar o país, pois podem ser convocados para auxiliar o Exército. E por aqui, como seria?

Claro que o cenário é hipotético - o Brasil historicamente é um país pacífico que se envolve pouco em conflitos além do seu território, apesar de ter enviado soldados para as Guerras Mundiais. Mas entenda abaixo como poderia ser a convocação de soldados brasileiros.

Quem seria chamado primeiro caso o Brasil entrasse em guerra?

Se o Brasil fosse convidado para participar da guerra entre Rússia e Ucrânia ou em alguma batalha futura, caberia unicamente à União declarar essa vontade. Nenhuma outra autoridade, seja ela municipal ou estadual, tem a mesma competência para gerar a ordem. Mas o presidente da República não pode tomar a decisão sozinho, tendo que enviar uma requisição ao Congresso Nacional.

"A decretação do Estado de Guerra depende da autorização da Casa Legislativa. A partir daí existem consequências de ordem normativa e de ordem institucional. A decretação de guerra necessita de decretação de Estado de Sítio, que depende de autorização do Congresso Nacional, e criação de mecanismos de fiscalização. Paralelamente passaria a funcionar o Sistema de Mobilização Nacional, que determina quais procedimentos devem ser tomados", explica Eliana Franco Neme, mestre e doutora em Direito Constitucional, professora da USP (Universidade de São Paulo) e do Centro Universitário de Bauru.

Caso o Brasil participasse de uma guerra, primeiro seriam chamados os militares na ativa, sejam eles integrantes das Forças Armadas (Marinha, Exército e Aeronáutica) ou das forças auxiliares, como a Polícia Militar, por exemplo.

"Se se esgotassem todos os militares da ativa, viriam os reservistas, que são todos os homens que foram para a reserva em algum momento. Os mais novos teriam prioridade na convocação", conta Douglas Galiazzo, professor de Direito da Estácio.

Em tempos de conflitos, não há idade máxima para fazer a convocação definida pela lei. A obrigação do Serviço Militar, em tempos de paz, começa no primeiro dia de janeiro do ano em que o cidadão completar 18 anos de idade e subsistirá até 31 de dezembro do ano em que completar 45 anos. Em tempos de guerra, isso muda em dois pontos:

  • O período poderá ser ampliado, de acordo com os interesses da defesa nacional.
  • Será permitida a prestação do Serviço Militar, como voluntário, a partir dos 17 anos de idade.

Quem poderia ser dispensado de uma guerra?

As regras gerais de dispensa de convocados, que normalmente funcionam em tempos de paz, mudam em momentos de conflito.

"Mesmo pessoas que aleguem convicção religiosa, política ou filosófica, podem ser convocadas. Além disso, impeditivos de saúde podem ser alegados em tempos de guerra, mas precisam ser comprovados e não geram dispensa automática, ou seja, dependendo do problema e da necessidade do país, a pessoa poderá ser designada para atividades específicas," explica Vitelio Brustolin, professor do INEST da UFF (Instituto de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense) e pesquisador de Harvard.

O Brasil poderia se envolver em uma guerra?

O Exército Brasileiro já participou de alguns conflitos armados nacionais e marcou presença durante as duas Guerras Mundiais. No início da Primeira Guerra, o país não quis se envolver por causa das suas relações econômicas que tinha com as nações dos dois lados do conflito.

Mas, depois de perder dois navios, disponibilizou pilotos, navios militares e apoio médico para ajudar a Tríplice Entente (Inglaterra, Rússia e França). Além disso, o efetivo brasileiro atuou na região da Jutlândia, entre a Dinamarca e a Alemanha, onde se travaram as principais batalhas.

Já na Segunda Guerra o movimento do Exército Brasileiro foi mais expressivo. Em 1944, foram enviados aproximadamente 25 mil soldados, que lutaram no fronte de batalha do norte da Itália, junto ao 5º exército americano. Getúlio Vargas declarou guerra à Alemanha depois que submarinos alemães afundaram cinco navios mercantes brasileiros.

Segundo Douglas Galiazzo, dependendo da complexidade da atividade, os militares brasileiros poderiam participar de determinações de missões de guerra, já que são treinados para isso. Contudo, para Gunther Rudzit, professor de Relações Internacionais da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), não existe a menor chance do Brasil entrar em guerra contra a Rússia.

"A chance é nenhuma. Não fazemos parte da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), somos aliados da Rússia e a nossa posição histórica é de resolução pacífica das controvérsias. Só entramos em um conflito se o Conselho de Segurança da ONU permitir. O máximo que fazemos é enviar tropas de manutenção da paz com aprovação do Conselho de Segurança da ONU, como fizemos no Haiti", afirma.

26 fevereiro 2022

Entenda a Rússia de Vladimir Putin em cinco filmes no streaming

 


Atual presidente russo, Vladimir Putin é uma das figuras que protagonizam a guerra entre Rússia e Ucrânia, que teve início nesta quinta-feira.

Antes de chegar ao poder, há mais de 20 anos, ele foi agente da KGB, o órgão de espionagem da União Soviética, e um dos chefes da FSB, que sucedeu a antiga agência após o fim do bloco socialista.

Presidente russo Vladimir Putin em reunião no Kremlin, em Moscou - Reuters

Em agosto de 1999, através de suas conexões burocráticas, ele foi alçado ao cargo de primeiro-ministro do então presidente russo Boris Ieltsin. Desde então, ele já foi eleito presidente em 2000, 2004, 2012 e 2018 —e pode continuar no cargo até 2036, já que o governante sancionou uma lei que permite que ele concorra a mais dois mandatos.

As tensões com a Ucrânia são uma marca de seu governo. Em 2014, Putin anexou a Crimeia, ex-território ucraniano na fronteira entre os dois países. Além disso, Putin tem fomentado uma guerra civil de separatistas pró-Rússia na região do Donbass, no leste da Ucrânia, que está no centro da tensão atual.

Considerado um estrategista inteligente por figuras como Donald Trump e um dissimulado por líderes como o presidente francês Emmanuel Macron, é possível dizer que Putin é uma figura no mínimo controversa.

Para entender melhor o presidente da Rússia e o cenário atual do país, veja abaixo uma lista de filmes que, sob diversas perspectivas, explicam traços importantes da situação do país sob o governo de Putin.

 

As Testemunhas de Putin

Este documentário de Vitaly Mansky, lançado em 2018, registra a ascensão de Vladimir Putin, por meio de materiais inéditos, partindo do colapso da União Soviética até os anos 2000, quando ele ocupou o Kremlin pela primeira vez como governante.

O filme será transmitido no Canal Brasil nesta sexta (25), às 20h45.


Leviatã

Vencedor do Globo de Ouro e do prêmio de melhor roteiro no Festival de Cannes em 2014, além de indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2015, este filme narra a luta de um mecânico que perde sua casa para um político russo. A partir desse enredo, são expostas as ruínas de uma polícia e de um Judiciário contaminados pela corrupção e infestados pelo abuso de poder. "Leviatã" foi dirigido por Andrey Zvyagintsev.

Disponível para compra ou aluguel no Apple TV+, YouTube e Google Play, 14 anos


Le Système Poutine

Dirigido por Jean-Michel Carré, este documentário francês, lançado há 15 anos, é uma reportagem que busca traçar o perfil do presidente russo. Passando de sua biografia aos seus alicerces políticos, o filme demonstra como Putin utiliza as exportações de petróleo e gás como armas geopolíticas para fazer valer sua influência sobre o mundo.

Disponível na plataforma Amazon Prime Video

Entrevistas de Putin

"Entrevistas de Putin" é uma série de quatro episódios nos quais o presidente russo conversa com o cineasta americano Oliver Stone. Em encontros realizados entre 2015 e 2017, Stone conduz o diálogo abordando tanto questões pessoais da vida de Putin quanto as relacionadas às tensões entre Estados Unidos e Rússia.

Disponível no legendado YouTube, no canal da Rede TVT


Ícaro

Vencedor do Oscar de melhor documentário em 2018, "Ícaro" revela os bastidores do esquema de doping que fraudou resultados de exames de atletas russos em competições olímpicas. Este thriller documental, dirigido pelo americano Bryan Fogel, traz depoimentos do cientista russo Grigory Rodchenkov, um dos responsáveis por enganar os órgãos internacionais de controle. ​

Disponível na Netflix, 16 anos

Putin ataca centro de Kiev e enfrenta resistência de forças da Ucrânia

 


As forças de Vladimir Putin atacaram na madrugada deste sábado (26) o centro de Kiev. A batalha pela capital da Ucrânia ocorre apenas dois dias depois do começo da guerra com a qual o presidente russo pretende derrubar o governo e retomar o controle político sobre o vizinho.

"O futuro da Ucrânia está em jogo", disse Volodimir Zelenski, o presidente ucraniano que se diz marcado como "alvo número 1" na invasão, que culmina um processo de quatro meses de tensão entre Moscou e o Ocidente em torno do país no Leste Europeu.

Soldado ucraniano coleta explosivos não detonados de bomba lançada por russos no centro de Kiev
Soldado ucraniano coleta explosivos não detonados de bomba lançada por russos no centro de Kiev - Serguei Supinski/AFP

Como seria de se esperar, os detalhes da ação russa são esparsos. As primeiras explosões em pontos periféricos da cidade foram relatadas por volta das 5h locais (meia-noite em Brasília). Segundo a conta das Forças Armadas locais no Facebook, havia combate em regiões tão centrais quanto a avenida da Vitória no começo da manhã.

O governo britânico, que é parte interessada por ser rival de Moscou, diz que os ucranianos estão resistindo e que até aqui os combates envolvem apenas forças especiais​ russas de vanguarda. Também foram colocados em dúvida os avanços alegados pelo Kremlin em outras partes do país, como a conquista de Melitpol (sul).

"Não podemos perder a capital. Falo com nossos defensores, homens e mulheres em todas as frentes: hoje à noite, o inimigo vai usar todas as suas forças para romper nossas defesas da maneira mais vil, dura e desumana", disse Zelenski em pronunciamento feito antes do ataque.

Ele pediu resistência e orientou moradores da cidade de 3 milhões de habitantes a jogar coquetéis molotov nos invasores. O governo publicou vídeos ensinando a fazer a bomba improvisada com gasolina em garrafas, e durante a sexta (25) distribuiu 18 mil fuzis a civis.

No meio da manhã, Zelenski surgiu em um vídeo gravado em seu celular no centro da cidade para afastar rumores de que tinha fugido, dizendo que "nós não vamos depor armas".

Segundo informações de analistas militares russos, o centro do ataque é a região noroeste da capital. A Rússia desembarcou um número incerto de militares no aeroporto Antonov, em Hostomel (25 km da cidade).

Eles podem ter vindo tanto da ditadura da Belarus, onde a Rússia mobilizou cerca de 30 mil soldados em exercícios militares que deveriam ter acabado no domingo (20), quanto da base da 76ª Divisão Aerotransportada, de Pskov (900 km ao norte).

A base de entrada foi Hostomel. Quando o cerco da capital se consolidou por duas frente, ao longo da sexta, batedores russos foram vistos na periferia de Kiev, inclusive com veículos blindados leves. Era o reconhecimento para a batalha à frente, em uma guerra que seguiu em outros pontos do país neste sábado: bombardeios foram ouvidos perto de cidades como Lviv e Kharkiv.

O outro flanco do ataque fica a nordeste da cidade. Os russos tomara a região da usina de Tchernóbil, palco do maior acidente nuclear da história, em 1986, da quinta (24) para a sexta. De lá, 110 km de Kiev, estabeleceram um corredor para militares e blindados vindos de Belarus por meio dos pântanos congelados de Pripriat.

Imagens de TV mostraram um prédio de apartamentos atingido por algum projétil, mas não havia informação imediata sobre vítimas.

Segundo as forças ucranianas, um primeiro ataque ao coração da cidade foi repelido, provavelmente com o uso intensivo de mísseis antitanques Javelin, fornecidos dentro do pacote de US$ 400 milhões ofertado pelo governo dos Estados Unidos em 2021. Na sexta, ante o agravamento da crise e a iminência do ataque, o presidente Joe Biden prometeu liberar mais US$ 350 milhões em armas americanas para combater os russos.

Esta última formulação dá a dimensão geopolítica do que está em jogo. Putin usou como justificativa para a invasão a necessidade de proteger as duas autoproclamadas repúblicas russas do Donbass (leste do país), que ele reconheceu como países na segunda (21).

O Kremlin apoia os rebeldes desde 2014, quando um governo aliado seu em Kiev foi derrubado e substituído por outro apoiado pelo Ocidente, abrindo a porta para a adesão da Ucrânia à Otan (aliança militar ocidental) e à União Europeia.

A reação de Putin foi anexar a Crimeia, a preciosa península historicamente russa que sedia sua Frota do Mar Negro, que então alugava sua base em Sebastopol. O apoio aos rebeldes veio, mas planos de anexação não foram em frente. Do ponto de vista estratégico, contudo, manter o conflito que matou mais de 14 mil pessoas congelado bastava a Putin, porque mantinha a Ucrânia sem força para aderir ao Ocidente.

Assim, Putin não veria forças ofensivas ocidentais às suas portas, nem um regime liberal que poderia inspirar a oposição em casa.

Em 2021, o russo parece ter decidido finalizar o jogo. Após um ensaio em abril, mobilizou a patir de novembro entre 150 mil e 190 mil soldados em exercícios denunciados no Ocidente como um prenúncio de invasão e emitiu um ultimato para que os EUA e a Otan aceitassem seu desenho para o Leste Europeu, cessando a expansão do clube militar que já havia absorvido 14 antigos satélites comunistas, 3 deles países que foram da União Soviética assim como a Ucrânia.

Apesar da gritaria, o Ocidente permaneceu de mãos amarradas, temendo envolver a Otan em um conflito potencialmente nuclear com os russos, como o presidente russo sempre lembra. Montou pacotes sucessivos de sanções, o mais recente destinado a atingir Putin pessoalmente pela primeira vez, mas o longevo líder do Kremlin, no poder desde 1999, não se mexeu.

Nas ruas de cidades russas e ao redor do mundo, assim como na internet, eclodiram protestos contra a guerra, inclusive de celebridades do país de Putin. Efeito nulo até aqui, embora prenuncie o isolamento do regime do Kremlin.

Quando os primeiros mísseis balísticos e de cruzeiro foram despejados sobre a Ucrânia, na madrugada da quinta, o russo selou sua maior aposta, que havia sido ensaiada na guerra de cinco dias contra a Geórgia pelos mesmos motivos em 2008 e na ação de 2014 na própria Ucrânia.

Militarmente, a reforma que empreendeu após o baixo desempenho em 2008 e a experiência prática na guerra civil síria, na qual interveio em 2015 e salvou a ditadura de Bashar al-Assad, deram ao Kremlin uma força mais eficaz e com domínio sobre guerra aérea moderna que não tinha.

O ataque múltiplo pelo país e a chegada ao centro do poder em três dias mostra que o investimento está pago. A Ucrânia resiste, mas a desproporção de forças é flagrante. Ao todo, Putin tem 900 mil soldados e um orçamento militar dez vezes maior do que o de Zelenski, que comanda 200 mil soldados.

Kiev assim enfrenta a décima grande batalha de sua longa história, iniciada no século 5º. Vivas nas memórias de moradores mais velhos e seus descendentes estão duas, o assalto nazista de 1941, que deixou a cidade sob brutal ocupação, e a retomada soviética de 1943, para muitos abriu um período tão sombrio quanto o anterior.

Também neste sábado, o governo em Lviv (oeste do país, junto à Polônia) disse que foi repelido o ataque de uma unidade com 60 paraquedistas perto da cidade. A Ucrânia também afirma que derrubou dois aviões de transporte pesados Il-76, o que será um grande revés para Putin, se confirmado. Já os russos informaram uma lista de 821 alvos militares atingidos, fora dezenas de aviões, tanques e outros equipamentos. Nenhuma das afirmações é verificável.

Na sexta, o objetivo de Putin ficou claro no solo e também no discurso. Zelenski balbuciou a ideia de discutir a neutralidade ucraniana e foi recebido com sarcasmo: Moscou se disse pronta para negociar, desde que fosse na capital aliada Minsk e sobre os seus termos. Queria a rendição.

Putin ainda foi além e fez um duro ataque ao ucraniano, chamando seu governo de antro de viciados em drogas e neonazistas, uma acusação que permeia essa campanha desde o começo, assim como referências de lado a lado à Segunda Guerra Mundial —o conflito atual é o maior na Europa desde o fim das hostilidades em 1945.

Zelenski é judeu, mas a ideia corrente na Rússia é a de que associação real de elementos nazistas no nacionalismo mais radical do vizinho é equivalente a políticas de governo.

Por isso o russo fala que combate um genocídio, presumivelmente na sua retórica dos 4 milhões de moradores do Donbass, 800 mil deles a quem concedeu passaportes. Não há nada disso, mas um embate cultural aberto, no qual Kiev buscou impor a língua ucraniana, nascida com a russa mas diferente dela, no país.

Declarações de autoridades russas, como o chanceler Serguei Lavrov, deixaram claro que Zelenski só teria como opção se entregar para julgamento ou resistir e morrer. Na madrugada, o jornal Washington Post disse que os EUA lhe ofereceram refúgio, sem resposta positiva.

O plano russo, segundo avaliação de diplomatas e analista de Moscou, é instalar um regime que apoie Moscou, talvez com um político de partido pró-Rússia. Há a possibilidade de uma ocupação militar, o que implicaria custos e riscos enormes, mas Putin mostrou que está disposto a isso com a guerra.

Comediante que surgiu de um programa de TV no qual atuava como um professor que virava acidentalmente presidente da Ucrânia, Zelenski chegou ao poder em 2019 de forma surpreendente.

Usa de suas qualidades como ator em pronunciamentos, empostando a voz e clamando o tradicional "Glória à Ucrânia" ao fim de suas falas. Sem experiência política, não conseguiu conduzir uma negociação coesa com grupos internos rivais para lidar com Putin, e tomou medidas que afrontaram o Kremlin.

Sem o apoio militar objetivo, que de resto nunca teria do Ocidente, agora passa da comédia para a tragédia, arriscando virar um mártir no roteiro em que trocou a metavida de personagem de TV pelo acuado personagem de vídeos tremidos de internet numa cidade sob fogo. A guerra chegou ao século 21.