O escritor Olavo de Carvalho, morto na segunda-feira 24, gabava-se
de, ainda em 2018, ter sido escolhido o mentor do clã Bolsonaro, mas
todas as indicações que fez para o então recém-eleito governo do
ex-capitão se transformaram em desgaste e estremecimento de relações
políticas, uma verdadeira herança maldita. De suas mãos saíram nomes
como os ex-ministros da Educação Ricardo Vélez e Abraham Weintraub, o
ex-chanceler Ernesto Araújo e o atual assessor para Assuntos
Internacionais da Presidência Filipe G. Martins.
Em comum, todos perderam influência política e acabaram escanteados,
seja por embates desnecessários, seja pelo avanço do governo de Jair
Bolsonaro rumo aos partidos do Centrão. A poucos meses da eleição em que
o presidente tentará conquistar um novo mandato, pouco sobrou da
todo-poderosa ala ideológica do bolsonarismo.
Em entrevista a VEJA,
Olavo chegou a se declarar como “o segundo governo”, tamanha a
influência de que gozava no início da administração bolsonarista, mas o
tempo mostrou a dimensão de seu espólio. Ricardo Vélez foi demitido 100
dias após o início da gestão no Ministério da Educação, marcada por
crises. O ponto alto da rápida passagem do professor colombiano pelo MEC
foi a saraivada de críticas que recebeu ao declarar, em entrevista às
Páginas Amarelas de VEJA, que brasileiros agem como “canibais” ao
viajar. “Rouba coisas dos hotéis, rouba o assento salva-vidas do avião,
acha que sai de casa e pode carregar tudo. Esse é o tipo de coisa que
tem de ser revertido na escola”, afirmou Vélez.
O sucessor no posto tampouco foi menos verborrágico. O economista
Abraham Weintraub foi demitido 14 meses após a posse no cargo e,
enquanto esteve no ministério, contribuiu para elevar a tensão entre o
presidente e o Judiciário. Weintraub nunca engoliu decisões judiciais
que o desagradavam, como o veto à nomeação do delegado Alexandre Ramagem
para a chefia da Polícia Federal, e atacou de forma virulenta o Supremo
Tribunal Federal (STF). Em uma reunião com o presidente e ministros em
abril de 2020, ele defendeu que juízes do STF acabassem atrás das grades
– ou, em suas palavras, “colocava esses vagabundos todos na cadeia,
começando no STF”. A demissão do segundo ministro da Educação foi
resultado da pressão do próprio Supremo, que exigia uma resposta do
Palácio do Planalto contra as agressões. Hoje, ele tenta se lançar
candidato ao governo de São Paulo – e voltou ao ringue verbal, ainda que
agora contra o próprio Bolsonaro.
Outro olavista no primeiro escalão, o ex-ministro Ernesto Araújo, que
chegou a defender que o país fosse visto como um “pária internacional”,
brigou com parceiros comerciais importantes, como a China, atacou a
credibilidade de vacinas contra a Covid e bateu de frente com
parlamentares que defendiam a tecnologia 5G chinesa. Em um dos seus
arroubos, disse que preferia ver a política externa do Brasil sendo
condenada por outras nações a se aliar ao “cinismo interesseiro dos
globalistas, dos corruptos e semicorruptos”.
Olavo de Carvalho também ajudou a provocar desgastes para Bolsonaro
ao escolher como interlocutor do governo para política externa um de
seus alunos, o bacharel em Relações Internacionais Filipe G. Martins.
Martins entoava, ao lado de Araújo, loas contra a China, as vacinas e um
suposto “marxismo cultural”. Denunciado após simular um gesto
interpretado como símbolo da supremacia branca em uma sessão do Senado,
hoje vive escanteado no Palácio do Planalto e não participa mais de
agendas relevantes com chefes de Estado.
Da família Bolsonaro, quem mais se aproximou de Olavo de Carvalho foi
o deputado federal Eduardo Bolsonaro. Ele manteve encontros com o
escritor e com o ex-estrategista de Donald Trump, Steve Bannon, em uma
parceria para apoiar o avanço dos conservadores na América e frear
“inimigos” como o Foro de São Paulo, que agrega os partidos e
organizações de esquerda na região. Às vésperas das eleições, Eduardo
perdeu espaço para o irmão Flávio, senador, entre aqueles que atuarão
nos planos da campanha à reeleição do presidente.
Diante da
pressão de outras categorias por reajuste salarial, além de ameaça de
paralisações, o presidente Jair Bolsonaro (PL) tem sido aconselhado por
integrantes do Ministério da Economia a recuar do reajuste salarial prometido a policiais no final de 2021.
Segundo o blog apurou, o ministro Paulo Guedes
tem repetido a políticos bolsonaristas, que defendem o reajuste como
gesto à categoria que é vista como base do presidente, que não é hora de
dar reajuste salarial a ninguém.
Inclusive, ministros do Supremo Tribunal Federal têm conversado com
integrantes do governo e avaliado que o reajuste específico, se for
adiante, certamente será judicializado e que, diante do avanço da
ômicron e de incertezas na economia, "não faz sentido" discutir aumento
salarial para servidor público em momento de crise.
O próprio centrão foi contra o reajuste apenas para policiais desde o
começo da discussão — mas Bolsonaro pediu a Guedes que arrumasse espaço
fiscal para conceder o aumento. O Congresso acabou aprovando um valor de
R$ 1,7 bilhão para essa finalidade, que ficou abaixo dos R$ 2,8 bilhões
propostos pelo Ministério da Economia. De acordo com a pasta, o aumento salarial para a categoria ocorreu por uma "decisão do presidente da República".
O líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR), disse ao blog
nesta quinta-feira (13) que desde o final de 2021 vem dizendo que, em
sua avaliação, seria melhor não dar reajuste a ninguém pois a "confusão
era esperada", referindo-se à reação de outras categorias. Mas que a
decisão política é do presidente e agora o governo discute uma solução
para a questão.
"Não estou me opondo ao reajuste, eu sempre disse que achava melhor não
dar reajuste a ninguém. Mas a decisão política foi tomada e agora o
governo está discutindo qual a melhor solução".
No fim de 2021, Bolsonaro mandou Guedes centralizar o reajuste na
categoria de policiais para fortalecer sua base de apoio de olho em
votos para 2022.
No entanto, diante da indefinição a respeito do reajuste, integrantes
da polícia federal têm reagido nos bastidores e avisaram ao ministro da
Justiça, Anderson Torres, que haverá desgastes para a imagem do
presidente junto à corporação se o governo recuar de sua promessa.
Hoje, também está prevista uma reunião do ministro da Economia com o presidente do sindicato nacional dos auditores fiscais da Receita Federal, categoria que também pressiona por reajuste.
As fortes chuvas que atingem a região sul da Bahia já deixaram 21
mortos até a tarde desta terça-feira, 28, segundo o governo estadual. As
autoridades confirmaram a morte de um jovem de 19 anos em Ilhéus. Ele
tentou atravessar uma enxurrada durante a noite de segunda-feira, mas
acabou se afogando. A chuva continua em alguns dos municípios atingidos,
que já registraram mais de cinco vezes o volume de água esperado para
essa época do ano.
O número de feridos permanece em 358. Entre segunda e terça, mais de
30 cidades decretaram situação de emergência, chegando a um total de 136
municípios.
Ao menos 470.000 pessoas foram afetadas de alguma forma, no que é o
maior temporal registrado na Bahia desde 1989. Entre eles, quase 80 mil
tiveram de deixar suas casas.
O número de pessoas desabrigadas, que dependem dos alojamentos
cedidos pelo poder público, é de 34.163. Já os desalojados, que tiveram
de deixar suas casas mas conseguiram hospedagem por conta própria, somam
42.929.
O
presidente Jair Bolsonaro viajou nesta segunda-feira para Santa
Cantarina, onde deve passar o Ano Novo. Bolsonaro deverá ficar hospedado
no Forte Marechal Luz, na cidade de São Francisco do Sul. A viagem
ocorre em meio a uma série de temporais na Bahia, que já deixou, até o
momento, ao menos 20 mortos e 73 mil desabrigados.
Nesse mês,
Bolsonaro já passou sete dias no Guarujá, no litoral de São Paulo.
Durante a estadia no local, entre os dias 17 e 23, o presidente foi
filmado enquanto dançava funk em uma lancha com apoiadores.
Nesta
segunda, Bolsonaro deixou o Palácio da Alvorada por volta de 10h40 e foi
para a base aérea de Brasília. A previsão era de que ele fosse de avião
até Navegantes (SC) e, de lá, pegasse um helicóptero até São Francisco
do Sul. Não está previsto nenhum compromisso oficial na cidade. O
retorno está previsto para ocorrer apenas no início de janeiro.
Também
não há, até o momento, previsão de ia de Bolsonaro para a Bahia. No dia
12, o presidente foi ao estado para sobrevoar cidades que há haviam
sido atingidas por fortes chuvas. Os novos temporais, no entanto,
atingiram uma área ainda maior.
O vice-presidente Hamilton Mourão
viajou nesta segunda-feira para a Bahia, mas por outro motivo: ele irá
passar o Ano Novo na base naval de Aratu, que fica em Salvador. Não há
previsão de que ele visite as áreas atingidas pelas chuvas. Mourão deve
retornar para Brasília no dia 3 de janeiro.
Uma troca de ofensas entre o blogueiro Allan dos Santos e o presidente da Fundação Palmares, Sergio Camargo,
expôs um novo capítulo de uma crise entre os apoiadores do governo
federal. A briga mostra um racha na base ideológica do bolsonarismo: de
um lado estão seguidores do escritor Olavo de Carvalho que criticam
figuras do governo e, de outro, apoiadores ferrenhos do presidente Jair
Bolsonaro.
Camargo entrou na mira de Santos — dono do site conservador Terça Livre, que está foragido da Justiça
— após publicar críticas aos olavistas em seu perfil no Twitter. O
presidente da Fundação Palmares escreveu que “Jair Bolsonaro seria um
autêntico conservador ainda que absolutamente nenhum intelectual jamais
tivesse escrito um único parágrafo sobre conservadorismo”, em uma
referência a Olavo de Carvalho.
Em seguida, o blogueiro escreveu que Camargo faz parte de “uma horda
de anafabetos que, se não estivessem na política, não seriam capazes de
ensinar uma única e mísera coisa sequer”, e o criticou por receber
salário do governo.
As ofensas, a partir daí, só aumentaram. Camargo chamou Allan dos
Santos de “oportunista fracassado” e o acusou ter inveja e interesses
contrariados no governo. Novamente, diminuiu as figuras de Olavo e
Santos: “O brasileiro é, majoritariamente, conservador, e nunca leu
Olavo de Carvalho. Nem assistiu ao Terça Livre”.
O blogueiro, então, baixou ainda mais o nível da briga, chamando
Sérgio Camargo de “moleque de merda” e citando um episódio que
supostamente envolveria Camargo: “Nunca levei puta em churrasco de
família em Brasília deixando todo mundo desconcertado”, postou.
A baixaria nas redes sociais ocorre cerca de uma semana após Olavo
lançar críticas contra Bolsonaro. O escritor deixou claro que tem mágoas
com o presidente ao reclamar que seus amigos foram demitidos do governo
e que duvidava que ele tenha lido um livro seu inteiro. “Ele me usou como ‘poster boy’.
Me usou para se promover, para se eleger. E, depois disso, não só
esqueceu tudo o que dizia, como até os meus amigos que estavam no
governo ele tirou”, disse Olavo em uma transmissão na internet.
As críticas de Olavo ao governo se intensificaram ao longo do ano. Em
junho, em uma live durante a madrugada, o escritor reclamou da inação
de Bolsonaro e chegou a ameaçar o presidente: “Esse pessoal não consegue
derrubar o seu governo? Eu derrubo. Continue inativo, continue covarde,
eu derrubo.”
Após olavistas perderem espaço no governo, como Abraham Weintraub
(ex-ministro da Educação) e Ernesto Araújo (ex-ministro das Relações
Internacionais), a briga ameaça atrapalhar os planos eleitorais de
Bolsonaro. Um exemplo é o palanque em São Paulo: enquanto o presidente
insiste na candidatura do ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes, ao
governo estadual, Weintraub segue como pré-candidato e tem apoio do
bolsonarismo olavista. Na briga que dividiu a direita na internet,
Weintraub se alinhou com os olavistas: “Prof. Olavo traidor? Comunista?
Precisa ser destruído? VOCÊS ESTÃO LOUCOS?”
A briga pública entre Camargo e Santos chegou aos assuntos mais
comentados do Twitter nesta segunda-feira, 27. Até o início da tarde,
mais de 3.000 mensagens sobre o assunto já haviam sido postadas.
O
anúncio ocorre em meio a divergências entre o governo do estado e a
prefeitura. Enquanto a gestão Paes defendia a existência de condições sanitárias para realizar a festa com segurança, o governo Cláudio Castro (PL) já cogitava o cancelamento.
Na
justificativa, Paes disse que não teria como organizar a festividade
sem receber garantias do estado e que respeita a ciência.
"Tomo a
decisão com tristeza mas não temos como organizar a celebração sem a
garantia de todas as autoridades sanitárias. Infelizmente não temos como
organizar uma festa dessa dimensão, em que temos muitos gastos e
logística envolvidos, sem o mínimo de tempo para preparação", disse.
"Se
é esse o comando do Estado (não era isso o que vinha me dizendo o
governador), vamos acatar. Espero poder estar em Copacabana abraçando a
todos na passagem de 22 para 23. Vai fazer falta mas o importante é que
sigamos vacinando e salvando vidas", completou.
Se
é esse o comando do Estado(não era isso o que vinha me dizendo o
governador), vamos acatar. Espero poder estar em Copacabana abraçando a
todos na passagem de 22 para 23. Vai fazer falta mas o importante é que
sigamos vacinando e salvando vidas. 3/3
A
prefeitura do Rio planejava realizar celebrações de ano novo em dez
palcos em diferentes bairros da cidade, incluindo três em Copacabana.
Paes se diz surpreendido
Visivelmente
contrariado, Paes repetiu, em entrevista concedida após reunião com
secretários, que tomou a decisão por causa da recomendação do estado.
Ele poupou Cláudio Castro de críticas, dizendo que ainda não tinha
conversado com o governador depois da manifestação do comitê científico
estadual.
"Castro e eu iríamos ver a evolução do quadro nos
próximos dias, mas fui surpreendido pela decisão do comitê científico do
estado dizendo que representava risco. Se eu tenho um comitê cientifico
me dando embasamento, não tenho problema nenhum [em fazer a festa]. Mas
se esse comitê entende como risco, vou ficar com a opinião técnica que
gere mais restrições", disse.
Paes ainda afirmou que o
cancelamento, até o momento, se restringe às festas oficiais que seriam
promovidas pela prefeitura. Questionado se seriam permitidas outras
festas particulares, como em grandes hotéis do Rio de Janeiro, ele
repetiu por diversas vezes que era preciso perguntar para o comitê do
estado.
Por fim, ele lamentou o cancelamento e disse que a cidade
continua preparada para receber turistas, independente da realização do
Réveillon.
"O Réveillon de Copacabana é importante para a
simbologia, para a marca Rio de Janeiro", disse. "Com a taxa de
transmissão baixa, acho difícil que tenhamos outras medidas restritivas.
Os turistas vacinados serão muito bem-vindos ao Rio de Janeiro".
Outras capitais já anunciaram o cancelamento
O
anúncio ocorre enquanto a cidade do Rio de Janeiro vive seu melhor
momento epidemiológico desde o início da pandemia: há três dias não
registra mortes por covid-19, tem seu menor índice de transmissão do
vírus e menos de 1% dos testes realizados têm resultado positivo.
Por
outro lado, a preocupação com a variante ômicron e a posição de
especialistas recomendando cautela têm feito cidades e estados
cancelarem festividades para a virada do Ano.
Além do Rio de Janeiro, já cancelaram as comemorações
o Distrito Federal e as seguintes capitais: São Paulo, Natal, Recife,
Fortaleza, Salvador, São Luís, Teresina, Aracaju, João Pessoa, Cuiabá,
Campo Grande, Belém, Palmas, Vitória, Porto Alegre, Macapá, Maceió e
Florianópolis.
Curitiba, Belo Horizonte e Goiânia informaram que já não havia previsão de comemorações no Réveillon.
Os gabaritos oficiais do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2021 já estão disponíveis. As informações divulgadas nesta quarta-feira (1º) valem tanto para a versão impressa quanto para a digital das provas (veja os gabaritos mais abaixo nesta reportagem).
O resultado final das provas objetivas e da redação sai apenas em 11 de fevereiro.
Confira os gabaritos:
1º dia - prova azul
— Foto: Reprodução/Inep
1º dia - prova rosa
— Foto: Reprodução/Inep
1º dia - prova branca
— Foto: Reprodução/Inep
1º dia - prova amarela
1º dia - prova laranja (Braile e ledor)
1º dia - prova verde (Libras)
2º dia - prova azul
2º dia - prova rosa
2º dia - prova cinza
2º dia - prova amarela
2º dia - prova laranja (braile e ledor)
2º dia - prova verde (Libras)
O gabarito só permite que o aluno saiba seu número total de acertos.
Isso porque, como a prova é corrigida pela Teoria de Resposta ao Item (TRI), a nota final não é calculada apenas com base na porcentagem de respostas corretas.
Esse sistema de correção detecta a coerência no desempenho do estudante - ele reconhece o “acerto ao acaso”, ou seja, o “chute”, e atribui uma pontuação menor.
Por isso, no Enem, dois candidatos podem acertar exatamente a mesma quantidade de questões, mas tirar notas bem diferentes.
Um exemplo: se um aluno acertou as 5 questões mais difíceis, mas errou
as mais fáceis, provavelmente "chutou" as alternativas. Seu desempenho é
considerado incoerente, e a pontuação para cada acerto é reduzida.
André Mendonça, indicado do presidente Jair Bolsonaro a uma vaga no
STF (Supremo Tribunal Federal) e que será sabatinado nesta quarta-feira
(1º) pelo Senado, diz ver o Brasil como um "celeiro do povo evangélico
no mundo" e entende que o país está em "um processo de conversão" no
qual essa corrente religiosa será majoritária em dez anos.
As
declarações foram dadas em maio de 2021 em um evento na Igreja Batista
Getsêmani, em Minas Gerais, que fez parte de um périplo que o
ex-ministro manteve ao longo do mandato em cultos de diferentes
denominações evangélicas.
Mendonça, que é pastor da Igreja Presbiteriana Esperança, foi
escolhido por Bolsonaro como forma de atender a uma promessa de indicar
alguém "terrivelmente evangélico" para uma vaga no tribunal.
"Creio
que esse país vai ser o grande celeiro do povo evangélico no mundo. Eu
creio nisso. Meus irmãos e minhas irmãs: em dez anos nós já seremos
maioria neste país. Em dez anos. Não é porque é um processo de
dominação. É um processo de restauração. É um processo de conversão",
disse Mendonça, na ocasião.
A fala ocorreu em um contexto em que o
ex-advogado-geral da União e ex-ministro da Justiça abordava atividades
de educação religiosa de crianças, ocasião em que mencionou a
necessidade de "salvar as futuras gerações" do país.
Ainda sobre o
avanço da população evangélica, ele afirmou: "É um processo para dar
dignidade ao ser humano. É um processo para reconciliar o homem com o
nosso Deus. É um processo, para que... ainda que seja uma brincadeira,
dizer que o brasileiro vive de cachaça e pouco coração, o brasileiro vai
viver do sangue de Jesus. E do poder do Espírito Santo".
Também
afirmou que não há como se "conformar com certas profecias". "Temos que
nos indignar com um povo que, por vezes, não anda aos pés do nosso
senhor Jesus Cristo."
No histórico do Censo do IBGE, em 1980 os
católicos eram 89,9%, e os evangélicos, 6,6% da população brasileira. No
mais recente levantamento, de 2010, a proporção estava em 64,6% a
22,2%.
Mendonça aguardou por quase cinco meses o senador Davi
Alcolumbre (DEM-AP) pautar na Comissão de Constituição e Justiça do
Senado a sua sabatina, etapa obrigatória para a nomeação ao Supremo.
No período, líderes evangélicos se mobilizaram e pressionaram o congressista para que a tramitação fosse levada adiante.
O
ex-ministro, desde antes da indicação ao Supremo, em julho, tem dito
que possui compromisso com o Estado laico. Reafirmou isso em seu perfil
em uma rede social em setembro, enquanto sua sabatina estava travada no
Senado.
Em entrevista à Folha e ao UOL em 2019, quando era
ministro da Advocacia-Geral da União, disse que a defesa de alguém
terrivelmente evangélico para a corte era apenas "um slogan" do
presidente.
Falou que a fé, de qualquer que seja a religião, não
pode ser fator de influência em tomadas de decisões no âmbito da atuação
profissional. "Há 20 anos tenho essa postura na AGU e não seria
diferente fora."
Em suas visitas a igrejas pelo país, temas
diversos, como medidas do governo Bolsonaro e sua experiência
profissional, também costumam fazer parte de seus discursos.
Em 2019, ministrou palestra, por exemplo, com uma análise sobre "corrupção a partir da teologia".
A
crise sanitária decorrente do coronavírus também foi assunto com alguma
frequência em suas participações nos encontros religiosos.
Em
abril deste ano, época do auge da pandemia no país, Mendonça disse que a
situação era uma "calamidade literalmente digna de registros bíblicos" e
pediu reflexões, afirmando que é uma doença que "iguala ricos e
pobres".
Em maio, em outra igreja, criticou, ao falar da
pandemia, quem pensa "que as respostas vêm apenas da ciência". "A grande
verdade é que a ciência não é capaz de responder aos inúmeros desafios
vivenciados pela nossa sociedade. Muitos ainda querem idolatrar a
ciência."
ENTENDA TRAMITAÇÃO DAS INDICAÇÕES NO SENADO
- A
avaliação sobre a nomeação é feita pela CCJ (Comissão de Constituição e
Justiça). Para iniciar o processo, o presidente do Senado, Rodrigo
Pacheco (DEM-MG), deve ler o comunicado da indicação em plenário, o que
já foi feito
- A principal etapa na comissão é a realização de
uma sabatina do candidato pelos congressistas. Concluída a sabatina, a
CCJ prepara um parecer sobre a nomeação e envia a análise ao plenário
-
A decisão sobre a indicação é feita em uma sessão plenária da Casa. A
aprovação do nome só ocorre se for obtida maioria -ao menos 41 dos 81
senadores
- Depois da aprovação pelo Senado, o presidente pode publicar a nomeação e o escolhido pode tomar posse no tribunal
No último domingo (28) o Padre Fábio de Melo precisou fazer uma
cirurgia após lesionar o tendão de seu bíceps. Em seu perfil do
Instagram, o religioso falou com seus seguidores sobre o assunto, e
explicou com alguns detalhes como foi a cirurgia e como ele conseguiu
machucar seus músculos.
“Eu
tenho tendões que se laceram e um deles foi lacerado. O da cabeça curta
do bíceps. Com ele, laceram-se outras coisas, ligaduras que não são
corpóreas. Para lacerações físicas, médicos. Para lacerações emocionais,
amigos. E quando encontramos os 2 no mesmo rosto? Pois comigo foi
assim. Convivi com a laceração parcial durante 20 dias, mas não deu
mais”, iniciou Fábio de Melo. “Hoje foi o dia. O que estava por um fio
voltou a ser inteiro. Estou repleto de gratidão”, complementou.
Ainda
na publicação, Fábio de Melo agradeceu o time de médicos e enfermeiros
que cuidaram dele no hospital: “Enfim, a todos os que ajudaram a
remendar o padre”, brincou Fábio. O religioso é uma das figuras mais
famosas e querida no país, e recentemente ele foi contratado pela
emissora Rede Globo para fazer parte do seleto time de artistas do
canal.
Após a filiação do presidente Jair Bolsonaro ao PL (Partido Liberal), overeador de São Paulo Thammy Miranda decidiu sair da legenda. Nesta terça-feira (30), o filho de Gretchen afirmou que o desligamento foi motivado pelas divergências entre os políticos. "Já sofri ataques pessoais", pontuou.
"Com a ida do presidente [Bolsonaro] ao PL, o partido do qual faço parte, estou dando entrada na minha desfiliação, vou sair do partido. Temos ideias diferentes, além de que já sofri ataques pessoais de membros da família do presidente, inclusive contra meu filho, quando ainda era recém-nascido", destacou Miranda em um vídeo publicado no Instagram.
No relato, o vereador disse que não entrou na vida pública para atacar ninguém. "Não entrei para lutar contra políticos e sim para lutar pela nossa gente. Vou seguir fazendo o meu trabalho, pelo qual fui eleito, sem me preocupar com o partido, mas de olho no que as pessoas precisam", complementou.
Em 2020, Eduardo Bolsonaro criticou umacampanha publicitária estrelada por Thammy para o Dia dos Pais. "Mulher como garoto-propaganda do Dia dos Pais, depois homem para o Dia das Mães. E quem falar o contrário, já sabe, né? É gado, é pessoa raivosa, discurso do ódio e fake news. Assim vão te calando e empurrando goela abaixo uma conduta totalmente atípica para padrões brasileiros", escreveu o deputado federal nas redes sociais.
Na manhã desta terça-feira, Bolsonaro se filiou ao PL. O presidente venceu o pleito de 2018 pelo PSL (Partido Social Liberal), mas deixou a sigla em 2019, após divergências com a liderança do partido. O político tentou fundar a própria legenda, a Aliança Pelo Brasil, mas o projeto não saiu do papel.
"Não estamos aqui lançando ninguém a cargo nenhum. Um evento simples, mas de muita importância, que é a passagem para que possamos pleitear algo lá na frente", disse Bolsonaro durante a cerimônia de filiação. Além do presidente, também se filiaram ao PL o senador Flavio Bolsonaro e o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho.
Todo dia é dia de “Batatinha frita, um dois, três…”, o jogo cruel da
série Squid Game, para cães criados como comida num arco de países
asiáticos – incluindo as duas Coreias, China e Vietnã.
As tentativas de acabar com o hábito esbarram em resistências
culturais, especialmente dos mais velhos, habituados a gostar de
bosintang, a sopa de carne de cachorro, nos quais enxergam qualidades
culinárias e propriedades restaurativas, especialmente no verão.
Para jovens sul-coreanos, muitas vezes vestidos como os ídolos do
BTS, carne de cachorro causa tanta rejeição quanto aos brasileiros
urbanos que descobrem o gosto por churrasco de bicho-preguiça ou
ensopado de tatu em regiões de vida selvagem farta.
Os pratos com carne de cachorro, sem falar nas condições atrozes em
que os animais são criados, também provocam constrangimento social,
tanto na Coreia do Sul quanto na China, países que querem ser conhecidos
pelos avanços tecnológicos e não por hábitos estranhos no mundo
ocidental.
“Não teria chegado a hora de considerar prudentemente a proibição ao
consumo de carne de cachorro?”, perguntou, cheio de dedos, Moon Jae In, o
presidente de centro-esquerda que vive fazendo gestos não
correspondidos de abertura para a Coreia do Norte – seus pais vieram de
lá e ele teve uma infância muito pobre.
Moon criou uma força-tarefa para cuidar do assunto – e não parece ser um jeito de simplesmente camuflá-lo.
Com o desenvolvimento da Coreia do Sul, que nas últimas décadas
chegou a 32 mil dólares per capita, cães acabaram virando pets, não
apenas animais de companhia, mas símbolos de status. Um fenômeno
semelhante aconteceu na China, onde o governo tem uma capacidade maior
ainda de intervenção na vida dos cidadãos, mas ainda não conseguiu
eliminar os cachorros do cardápio (e se a algum incauto for oferecido um
prato chamado “O Tigre e o Dragão”, saiba que é uma sopa feita com
carne de gato e de cobra).
“A Coreia do Sul é o único país desenvolvido do mundo onde se come
carne de cachorro, algo que prejudica nossa imagem internacional”,
espeta Lee Won Bok, diretor da Associação Coreana de Proteção dos
Animais.
“Mesmo que o BTS e o Squid Game estejam em primeiro lugar no mundo,
os estrangeiros ainda associam a Coreia do Sul à carne de cachorro e à
Guerra da Coreia”.
O maior mercado de carne de cachorro de Seul fechou no começo do ano.
Existem cerca de cem restaurantes na cidade onde a sopa canina ainda é
servida. Segundo uma pesquisa do ano passado, 84% dos sul-coreanos nunca
comeram o prato e 60% são a favor do fim desse comércio.
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Forçar a mudança de hábitos culturais, mesmo quando não são mais majoritários, pode provocar o efeito oposto.
A Covid-19 impulsionou a proibição do consumo de animais silvestres na China, mas ele está muito longe de ter sido eliminado.
Durante o longo reinado de Mao Tsé Tung, os cães foram
sistematicamente eliminados como pragas que consumiam recursos
racionados e espalhavam doenças (também lançou a campanha das Quatro
Pestes, ratos, moscas, pernilongos e pardais, que resultou em grave
desequilíbrio ecológico, num sinal de que nem um tirano formidável como
ele podia dominar a natureza).
Ter cachorros, como ter filhos, virou um símbolo de status com a
abertura da economia e a ascensão à classe média de centenas de milhões
de chineses. A licença para ter cachorros custa caro, mas é claro que
não faltam influencers caninos, cães que fazem sucesso nas redes
sociais, como Sylar, o simpático border colllie que virou uma estrela do
mundo digital e hoje tem uma casa com hidro e piscina avaliada em 500
mil dólares – seu dono ficou milionário com ele e abriu uma negócio de
rações e brinquedos.
De brincadeira, é possível dizer que os cães domesticaram os humanos
há cerca de dez mil anos, colocando-os a seu serviço para obter abrigo,
comida e carinho. Comê-los, fora da região asiática onde são iguaria, só
em casos extremos de fome, quando o tabu contraingerir carnívoros é suplantado pela lei da sobrevivência.
Longe dos olhos do público sensível aos pets, cães são utilizados em
pesquisas de laboratório onde duas necessidades se confrontam: conhecer
melhor doenças que nos afligem e os remédios para combatê-las e causar o
menor sofrimento possível aos animais através dos quais podemos fazer
isso.
Nada, por exemplo, abalou tanto o prestígio de Anthony Fauci, o
virologista americano que se transformou em inimigo predileto dos
conservadores, pelos argumentos, às vezes cambiantes, em favor de
medidas restritivas na pandemia, quanto a divulgação de que seu
instituto financiou pesquisas em que beagles eram cruelmente picados
pelo mosquito que causa a leishmaniose.
Os exageros foram desmentidos, mas não a natureza da pesquisa.
Defensores mais apaixonados dos direitos dos animais contestam não
apenas esse tipo de pesquisa, mas até que pets, mesmo bem tratados,
sejam mantidos para o prazer de seus donos. Perdão, tutores.
Em meio aos fenômenos comportamentais descritos pela psicologia,
existe um que trata de uma incômoda sensação de volta ao passado. É o
chamado efeito de déjà-vu, em que elementos do cotidiano, lembranças e
sensações dão a impressão de remeter a situações que já foram
vivenciadas anteriormente. Nos últimos meses, a economia brasileira foi
tomada por vários episódios que trouxeram de volta experiências que
mereciam ficar esquecidas. O último e mais assustador desses fantasmas
despontou em setembro e se instalou nas bombas de combustíveis, com um
poderio maléfico nunca visto. A gasolina, que há um ano tinha preço
médio de 4,35 reais o litro no país, hoje vale em média 6,75 reais. Em
algumas cidades, como o Rio de Janeiro, o valor médio é maior e bate os
7,34 reais. Em Bagé, no Rio Grande do Sul, já chegou a 7,94 reais. São
valores recorde, que não dão sinais de que devem ceder tão cedo e podem
até aumentar e bater os 8 reais.
Como cavaleiros do apocalipse não andam sozinhos, o custo escorchante
dos combustíveis ampara e retroalimenta outro espectro renascido do
passado, a inflação, que já passou dos 10% no acumulado de doze meses.
Até recentemente, os principais vilões para o aumento do índice nacional
de preços ao consumidor amplo (IPCA) eram os alimentos, agora esse
título pertence à gasolina, ao diesel e a outros derivados do petróleo.
E, quando eles disparam, acontece algo de especialmente preocupante para
a economia, uma vez que influenciam a formação de praticamente todos os
outros preços de bens e serviços. Tanto é assim que os transportes
representam, desde 2020, o maior peso na composição do índice oficial de
inflação.
Essa é uma situação que tem potencial de piorar. Segundo a Associação
Brasileira dos Importadores de Combustíveis, a Abicom, os preços do
petróleo e derivados cobrados no país pela Petrobras ainda estão cerca
de 5% abaixo do valor internacional, o que tem levado refinadoras a
optar por comprar da estatal em vez de importar de fornecedores
internacionais. Na terça-feira 23, a petroleira anunciou que, em
dezembro, pelo segundo mês consecutivo, não conseguirá atender a toda a
demanda por gasolina e diesel no país, em razão de os pedidos terem sido
atipicamente altos. Trata-se de um preocupante risco no horizonte,
porque, se faltar combustível, a pressão sobre os preços aumentará mais
ainda.
Em meio à carestia, todos os olhos inevitavelmente se voltam para a
Petrobras. Com sua política (correta, diga-se) de definir preços de
acordo com os padrões internacionais, torna-se alvo de pressão de
políticos em busca de soluções simplistas e populistas. Do presidente da
República a congressistas dos mais diferentes matizes, muitos defendem o
controle de preços e a intervenção nas políticas da estatal em maior ou
menor grau. No fim de outubro, Jair Bolsonaro chegou a declarar que a
empresa — uma corporação mista com acionistas no Brasil e no exterior,
sujeita às regras internacionais de boa governança — não deveria ter
lucros elevados. Na última semana, o presidente afirmou que está
reavaliando “a questão da paridade com o preço internacional”.
Esperança de algum bom senso, o presidente da Câmara, Arthur Lira
(PP-AL), também anda decepcionando. Nos últimos meses, ele atacou por
diversas vezes a política da Petrobras, que beneficiaria os seus
acionistas, mas não a sociedade. Ambos deixam de mencionar que o
principal acionista da empresa é exatamente o governo federal, cujos
ganhos na forma de royalties repassados ao tesouro aumentam na proporção
dos lucros. Em 2021, a Petrobras promete distribuir 63,4 bilhões de
reais em dividendos, dos quais 23,3 bilhões serão direcionados para a
União. Em depoimento ao Senado, o presidente da Petrobras, Joaquim Silva
e Luna, foi incisivo nesse ponto: “Hoje, a Petrobras paga mais
dividendos ao Estado brasileiro. Ela busca devolver ao Estado tudo
aquilo que recebe”.
Longe da visão simplista de alguns políticos, o brusco aumento no
preço do petróleo tem causas complexas e não é uma realidade exclusiva
do Brasil. De forma global, o mercado tem sido afetado pelas políticas
estabelecidas pelos membros da Organização dos Países Exportadores de
Petróleo (Opep), que, desde o início da pandemia de Covid-19, reduziram o
fluxo da matéria-prima para o resto do mundo como forma de controlar os
preços. Pouco antes das quarentenas e lockdowns imobilizarem
boa parte do planeta, os preços do petróleo Brent e WTI, referências no
mercado internacional, rondavam em torno dos 60 dólares. No pior momento
da crise sanitária, entre maio e abril de 2020, esse valor despencou a
uma média de 15 dólares. Atualmente, com a volta da atividade em padrões
acima do esperado, as cotações têm ficado em torno dos 80 dólares, o
nível mais alto desde 2014, ano da última arrancada no valor da
matéria-prima fóssil.
Desde o início do ano, a alta supera os 60%, e as perspectivas não
são muito animadoras. O banco de investimentos Goldman Sachs estimou, no
fim de outubro, que a pressão da demanda poderia elevar os preços acima
dos 90 dólares ainda neste ano, e o Bank of America acredita que a
marca dos 120 dólares pode ser atingida no primeiro semestre de 2022. A
preocupação com o impacto dessas previsões levou o presidente americano
Joe Biden a uma reação drástica. Na terça 23, ele anunciou que vai
utilizar as reservas estratégicas dos Estados Unidos, em um esforço
coordenado com outras grandes nações consumidoras, para enfrentar a
crise. Os analistas acreditam que o esforço é louvável, mas não deve ter
grande impacto em médio e longo prazo. “A alta do petróleo deve ser
temporária, mas provavelmente vai impulsionar iniciativas que busquem
dar uma solução mais definitiva ao problema, como a transição para a
eletrificação dos veículos. Esse é um processo que no Brasil ainda
demorará a acontecer”, afirma o ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy,
diretor de estratégia econômica e de relações com mercados do Banco
Safra.
Dentro do governo Bolsonaro, a reação aos preços do petróleo já
passou por diversas etapas, todas erráticas, inócuas e contraproducentes
na solução do problema. Houve a fase do presidente atacar os
governadores, pelo fato de o ICMS ter um peso grande no preço final dos
combustíveis. Nesse contexto, Lira conseguiu aprovar na Câmara, em
outubro, uma lei para fixar a cobrança da alíquota, mas a matéria foi
esquecida pelo Senado e desapareceu do discurso governista depois de
analistas alertarem que o congelamento do ICMS não provocaria queda nos
preços. Bolsonaro começou então a mencionar um interesse em privatizar a
Petrobras, uma medida acertada mas bastante complexa e de difícil
aprovação mesmo para um governo forte, o que não é o caso do atual. Tal
movimento foi visto mais como uma tentativa de afastar as cobranças e
desviar o foco das pressões de grupos que o apoiaram, particularmente
caminhoneiros. “Vamos reclamar de quem é realmente responsável por isso.
A Petrobras é responsável”, disse o presidente a uma rádio
recentemente.
O fato é que, hoje, no Brasil, a situação dos preços dos combustíveis
é pior até mesmo do que em 2014, quando a cotação internacional passou
dos 100 dólares. A grande diferença entre os dias atuais e aquela época é
o descontrole sobre o dólar, que atingiu patamares recorde. Em 2020, a
moeda americana subiu 30% e já tem alta de 8% neste ano. Isso acontece
por causa das instabilidades políticas no país — provocadas pelo próprio
Bolsonaro — e da percepção dos investidores de que o governo não
hesitará em pôr as contas públicas em risco para tentar uma reeleição
(sensação que ficou mais clara com as tratativas em torno da criação do
Auxílio Brasil atrelado a um calote nos pagamentos de dívidas
judiciais). Com o mercado financeiro mais receoso em colocar dinheiro no
Brasil, o real se desvaloriza e tudo que tem valor atrelado ao dólar
sofre súbita valorização. No caso do óleo diesel, o acréscimo ao preço
nas refinarias foi de 65% e da gasolina, 73%. Um desastre.
Evidentemente, o aumento nos preços dos combustíveis provoca um
efeito cascata que tem forçado consumidores e empresários a se adaptar à
nova realidade. Dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran)
mostram que de janeiro a setembro mais de 160 000 veículos foram
convertidos para gás natural veicular, prática que retoma um fenômeno
recorrente em meados da década passada e que teve um aumento de 88,5% na
comparação com o mesmo período do ano passado. “Costumava deixar metade
de tudo o que eu recebia no posto de gasolina, então precisei de
alternativas. Troquei meu carro por outro, com kit gás para diminuir meu
gasto”, diz Dayane Gonçalves Pereira, de 30 anos, motorista de
aplicativo. Empresários do setor de transportes como o capixaba
Vanderlei Carlos de Oliveira, proprietário da Work Transportes e dono de
cinquenta caminhões, foram obrigados a rever seus planos de negócios.
“Antes, a minha margem de lucro era de 5% a 7%, agora meus prejuízos
chegam a até 17% do faturamento. Eu tinha planejado comprar quinze
caminhões neste ano, mas cancelei porque estou com veículos parados”,
diz.
O que torna a situação particularmente crítica, para especialistas, é
o alto grau de incerteza econômica provocada pelo governo. Eles
acreditam que, num momento como o atual, o ideal seria propiciar o
mínimo de estabilidade à economia para que o dólar baixasse — cenário
quase utópico nas atuais circunstâncias. Bolsonaro ainda não entendeu
que essa distorção no valor da gasolina, que se desdobra em números
negativos para a economia, é justamente um dos fatores que pode
dificultar ainda mais sua eleição. Mal-aconselhado pela turma do
Centrão, sobra a tentação fácil da intervenção nos preços, um risco que
pode complicar ainda mais um cenário já ruim. “Não há solução mágica
para a alta dos combustíveis. Mas antes de mais nada é preciso respeitar
o preço internacional, porque só assim você vai garantir o
abastecimento do produto e ter competição ao longo da cadeia”, afirma
Decio Oddone, ex-diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e
atual CEO da Enauta, braço de óleo e gás do grupo Queiroz Galvão.
Uma proposta vista como mais factível para conter a crise atual e
também combater outras no futuro é a criação de um fundo com recursos
que absorvam impactos inesperados. “Existem dois fatores significativos
para o preço dos combustíveis: o valor do barril de petróleo em âmbito
internacional e a cotação do dólar. Para resolver o problema de
estabilização de preços, é necessário que, quando o preço do petróleo
aumentar lá fora, existam mecanismos para se aplainar os preços aqui”,
explica Henrique Meirelles, secretário da Fazenda e Planejamento de São
Paulo e ex-ministro da Fazenda. Formas de financiar fundos como esse têm
sido discutidas pelo governo e congressistas. Há péssimas ideias, como a
de criar um imposto sobre a importação de petróleo, que agrada a
políticos do PT e a setores do governo atual.
A consequência pode ser uma diminuição do interesse de empresas em
investir na extração no Brasil. Outra opção esdrúxula discutida no
Congresso é a ideia de subsidiar os preços sempre que o petróleo passar
dos 50 dólares, o que poderia forçar o governo a pagar por metade do
preço, se ele chegasse aos 100 dólares. É algo inconcebível com as
contas públicas na situação atual. Em uma linha mais racional, o
ministro da Economia, Paulo Guedes, chegou a sugerir a criação do
chamado Fundo Brasil, que seria abastecido pelos dividendos recebidos da
estatal e por vendas de imóveis da União. Mas o ministro prefere que
esse dinheiro seja direcionado a medidas de estímulo ao aumento de renda
da população e não ao subsídio de combustíveis, ainda que em períodos
anômalos.
À parte alternativas polêmicas e de curto prazo, uma receita de
consenso entre os economistas é a necessidade de continuar estimulando a
competição no mercado, com a venda das refinarias da Petrobras para a
iniciativa privada. Trata-se de um programa que está em andamento, mas
que deve provocar efeitos positivos nos preços apenas a médio e longo
prazo. Para o momento atual, nada teria melhor impacto do que mostrar ao
mercado que o governo preza uma economia saudável e competitiva, com
respeito às melhores regras fiscais. Isso tiraria pressão para novas
altas do dólar, que segundo analistas poderia cair para um patamar até 1
real mais baixo, barateando a gasolina. Seria também um bem-vindo
alívio à inflação, que tanto tem deteriorado as condições econômicas
atuais. A questão é o governo entender isso. Até aqui, eles parecem
preferir o oposto: jogar gasolina na fogueira.
A Polícia Civil de Minas Gerais informou nesta quinta-feira (25) que Marília Mendonça
(1995-2021) e os outros quatro tripulantes da aeronave que caiu em
Caratinga (MG) morreram instantaneamente. As autoridades deram uma
entrevista coletiva para informar que todas as vítimas sofreram
politraumatismo na tragédia ocorrida em 5 de novembro.
Além da cantora sertaneja, estavam no voo o piloto Geraldo Medeiros, o copiloto Tarciso Viana, o produtor Henrique Ribeiro
(conhecido como Henrique Bahia) e o tio e assessor da artista, Abicieli
Silveira Dias Filho. Todos tiveram politraumatismo contuso no acidente,
de acordo com o médico-legista Thales Bittencourt de Barcelos.
Segundo
ele, todos os ocupantes morreram com o choque da aeronave com o solo,
já que bateram as cabeças e os corpos com o impacto. "Os trabalhos de
necrópsia foram finalizados. Em ocasiões anteriores já havia sido
explanada a presença de indicadores de politraumatismo contuso em todos
as vítimas", começou o agente.
Barcelos explicou que foram
analisadas amostras do piloto e do copiloto para identificar se eles
teriam algum problema de saúde, ou se haviam ingerido substâncias
tóxicas ou alcoólicas, em busca de descobrir qualquer fator que pudesse
ter contribuído para o acidente. Todas os testes deram negativo.
"Por
segurança, o médico-legista coletou material para exames complementares
que são realizados na capital, no Instituto Médico Legal em Belo
Horizonte. Esses exames se prestam a identificar eventuais outras causas
que poderiam contribuir de alguma forma com óbito. São exames
toxicológicos, alcoólicos e exames anatomopatológicos, que são aqueles
realizados em tecidos, como fragmentos de pulmão, de coração, de
cérebro".
"Busca-se identificar uma eventual outra doença que a
vítima possa ter e eventualmente ter associação com o óbito. Todos os
exames dos tecidos vieram negativos para outras enfermidades que
pudessem contribuir para a morte. Os exames de tecido confirmaram os
traumas sofridos por todas as vítimas", continuou ele.
"Os exames
toxicológicos e alcoólicos também não apontaram nenhum tipo de consumo
de substância ou intoxicação que pudessem contribuir com os óbitos.
Dessa forma, a conclusão final dos óbitos será por politraumatismo
contuso para todas as cinco vítimas desse acidente aéreo", concluiu o
médico-legista.
Em seguida, o delegado Ivan Lopes Sales, que
comanda as investigações sobre o acidente, avisou que a polícia segue
firme com a tese de que a aeronave caiu apenas porque batera em fios de
alta tensão da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig).
O
Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais (Crea-MG)
abriu uma investigação para apurar se a instalação de torres de
distribuição da Cemig em Caratinga, é regular.
A possibilidade de
pane nos motores ainda não foi descartada, mas depende da investigação
do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes
Aeronáuticos).
A aeronave Beechcraft King Air C90a que levava a cantora e sua equipe à cidade mineira onde ela se apresentaria
caiu por volta das 15h30 daquele dia. O modelo do bimotor é bastante
utilizado na aviação executiva no mundo inteiro e é propriedade da
companhia de táxi aéreo PEC.
O jornalista William Waack, que
também é piloto licenciado, chegou a dar uma aula na CNN Brasil na
madrugada de 6 de novembro ao falar sobre a queda do avião que transportava a cantora Marília.
Com cálculos simples, ele informou que a aeronave voava baixo quando se
chocou com os fios de alta tensão antes de parar no meio de uma
cachoeira.